Por que duelo entre Lula e Flávio é crucial para a América Latina — e para Trump
O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para este domingo, vai além da escolha entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Mundo, o resultado deve influenciar o rumo político de toda a América Latina e a presença dos Estados Unidos no continente.
Os dois candidatos apresentam projetos distintos. Flávio Bolsonaro defende liberalismo econômico, redução de impostos e endurecimento das políticas de segurança. Lula propõe ampliar o papel do Estado, reforçar programas sociais e expandir direitos trabalhistas. A diferença entre eles no primeiro turno foi de 1,9 ponto percentual em votos válidos, a menor vantagem registrada em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.
Onda de direita e meio ambiente
Um dos fatores apontados como decisivos é a sequência de vitórias de candidatos de direita em eleições presidenciais na América Latina desde 2025. Para o professor Edgar Franco-Vivanco, da Universidade de Michigan, uma eventual vitória de Flávio reforçaria esse movimento, já que o Brasil é o país mais populoso e a maior economia da região. O candidato tem proximidade com governantes como Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, cujos modelos de ajuste fiscal e de segurança pública inspiram seu programa.
Especialistas também apontam possíveis efeitos ambientais. Segundo eles, um governo de Flávio poderia elevar o desmatamento da Amazônia, como ocorreu no mandato de seu pai, Jair Bolsonaro. No atual governo Lula, a destruição da floresta caiu ao menor nível registrado em quase quatro décadas, conforme dados oficiais. A pesquisadora Mônica de Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirma que o avanço da extrema direita é relevante porque esse campo não tem agenda ambiental compatível com a preservação e a transição energética.
Peso dos Estados Unidos
Uma vitória de Flávio também permitiria ao presidente americano, Donald Trump, ampliar a influência hemisférica que busca desde que voltou à Casa Branca. O Brasil permanece fora do Escudo das Américas, aliança criada por Washington com 14 países do continente. O governo Lula vê com receio a ofensiva americana e a inclusão de facções brasileiras em listas de organizações terroristas. Para a professora Carolina Pedroso, da Unifesp, o Brasil é peça fundamental nesse cenário de presença crescente dos Estados Unidos na região.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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