Por que Austrália quer 'desligar o algoritmo' da Meta e outras redes sociais
O governo da Austrália apresentou ao Parlamento nacional um conjunto de leis que prevê a criação de uma "chave do algoritmo", mecanismo que obrigaria as plataformas de redes sociais a permitir que os usuários desliguem o conteúdo recomendado. Na prática, a pessoa passaria a ver apenas publicações de contas que segue. A proposta também inclui a obrigação legal de assistência nos serviços online.
A medida é defendida como forma de proteger usuários de conteúdos que não procuraram. A australiana Varsha Yajman, de 24 anos, conta que começou a usar redes sociais aos 13 e passou a receber vídeos de exercícios e desafios de perda de calorias. Em recuperação de anorexia, ela afirma que ainda recebe conteúdo sobre perda de peso mesmo com configurações de segurança ativadas e uma lista de palavras bloqueadas. Já Flynn Martin relata que, por volta dos 20 anos, seu feed foi tomado por figuras da chamada machosfera, entre elas o influenciador Andrew Tate, e que só deixou esse ambiente após um período de psicose e internação hospitalar.
As empresas responsáveis pelas redes sociais sustentam que os riscos são exagerados e que já oferecem ferramentas de segurança eficazes. Pesquisas citadas na reportagem, porém, apontam que os algoritmos podem fornecer conteúdo prejudicial à saúde mental, difundir desinformação e aumentar a polarização. A ativista Chanel Contos, que liderou a campanha "Fix Our Feeds", defende que os algoritmos de recomendação sejam desligados por padrão, com opção de adesão pelos usuários. Mais de 15 mil pessoas assinaram a petição, que obteve apoio de dois ex-primeiros-ministros australianos, parlamentares e especialistas em segurança na internet.
Em setembro, o governo do primeiro-ministro Anthony Albanese anunciou sua versão da proposta, que obriga as empresas a criar a chave do algoritmo, mas sem exigir o desligamento automático. "Não se trata de dar controle ao governo, trata-se de dar controle às pessoas", afirmou Albanese, segundo a reportagem. Ele acrescentou que, se as pessoas quiserem rolar a tela compulsivamente, "é problema delas".
Críticos avaliam que o governo australiano pode estar indo longe demais na regulação das big techs. Outros governos, como o do presidente americano Donald Trump, afirmam que as reformas ameaçariam a liberdade de expressão. A Austrália não é o primeiro país a testar esse tipo de controle, mas, segundo a reportagem, os mecanismos já existentes costumam ser transitórios e prejudicar a funcionalidade dos aplicativos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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