Por que artistas militam tão desesperadamente por Lula?
Em artigo publicado na Gazeta do Povo, o colunista Paulo Cruz analisa o engajamento de artistas brasileiros na campanha eleitoral e afirma que "praticamente todo o mainstream artístico brasileiro é militante de esquerda, e poucos, muito poucos, conseguem produzir arte de qualidade por causa disso". O texto cita como exemplo a reunião do grupo 342 Artes, descrito pelo colunista como um "grupo de lobby artístico-político capitaneado por Paula Lavigne", que, segundo ele, se reuniu para gravar uma música em apoio à reeleição do candidato do PT.
Para sustentar o argumento, o colunista recorre à literatura russa. Ele lembra que Fiódor Dostoiévski, diante do assassinato do estudante Ivan Ivanov em 1869 por integrantes de uma organização revolucionária socialista liderada por Serguei Netchaiev, decidiu escrever um romance político — "um panfleto", nas palavras do próprio autor — e temia macular a qualidade literária da obra com uma mensagem declaradamente política. O resultado, segundo o colunista, foi Os Demônios, publicado como folhetim entre 1871 e 1872, e que, apesar das intenções políticas, se tornou uma investigação sobre o fanatismo e a sedução intelectual.
Paulo Cruz afirma que apenas artistas verdadeiramente vocacionados conseguem ultrapassar a militância pura e simples sem diminuir o valor artístico de suas obras. Ele cita a cantora americana Nina Simone, que mergulhou sua obra na luta contra o racismo, e o brasileiro Chico Buarque, cujas canções do período da ditadura são classificadas por ele como clássicos de qualidade inquestionável. Ainda assim, o colunista os trata como "exceções que confirmam a regra".
Como explicação para o fenômeno, o texto recorre a uma reflexão do escritor C.S. Lewis sobre o "homem imaginativo" ser mais atuante que o eu racional. Segundo o colunista, artistas são idealistas e sua visão de mundo é peculiar, o que os aproxima de projetos utópicos. Ele sustenta que a visão de mundo da esquerda é, em si mesma, uma idealização, e que Lula é o símbolo máximo desse mundo idealizado — "o proletário que virou presidente", mesmo depois de ter sido preso e condenado em três instâncias da Justiça, escreve.
O colunista também menciona o governo de Jair Bolsonaro, afirmando que ele antagonizou com o setor artístico ao reduzir o Ministério da Cultura a uma secretaria, alterar leis de incentivo e envolver órgãos como Funarte, Fundação Cultural Palmares e Iphan em controvérsias. Segundo Paulo Cruz, os artistas entraram em "modo resistência" e não querem retornar a esse cenário. Ele conclui que artistas "não devem ser parâmetro para nada" e que sua influência política é "ilusória e fruto única e exclusivamente de seu ego".
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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