Por que ajuste fiscal do novo presidente do Chile leva a crise com desemprego recorde
O desemprego no Chile atingiu o nível recorde de 9,6%, o maior em mais de cinco anos, em meio ao plano de austeridade fiscal do governo do presidente José Antonio Kast. Os investimentos produtivos, privados e públicos, tiveram crescimento nulo no segundo trimestre, puxados pela queda da construção civil, e a demanda interna apresentou crescimento praticamente nulo.
A economia chilena recuou 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior — a maior retração desde a pandemia de covid-19. A inflação em 12 meses chegou a 4,1% em julho, impulsionada sobretudo pela alta dos combustíveis. O país importa quase todo o petróleo que consome, e o governo decidiu não intervir para conter o repasse do choque petrolífero aos consumidores, episódio conhecido como "bencinazo".
A mineração, principal produto de exportação chileno, teve queda de cerca de 17,4% em agosto na comparação anual, o menor nível em três décadas. O Banco Central reduziu a projeção de crescimento para este ano, entre 0,25% e 0,75%, e o FMI estima 0,6%. Desde que assumiu o poder, em março, Kast concentrou suas medidas no corte de 3% do orçamento de todos os ministérios e na redução de investimentos públicos. O Congresso aprovou a chamada "megarreforma", que reduz progressivamente os impostos para as empresas de 27% para cerca de 23%.
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