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Planeta de 1 milhão de anos pode ser o mais jovem já observado por cientistas

Por Ivan Marra
Atualizado em 11/10/2026 às 15:35 schedule 3 min de leitura visibility 12 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A descoberta do planeta Elias 2-24 b, com menos de 1 milhão de anos, coloca os astrônomos diante de uma etapa da formação planetária que normalmente só pode ser reconstruída a partir de sistemas muito mais antigos. Com massa semelhante à de Júpiter, o objeto ainda está mergulhado no disco de gás e poeira que circunda sua estrela, segundo estudo liderado por Andrea Bernardi, doutorando da Universidade Diego Portales, no Chile.

O recorde anterior era compartilhado por quatro planetas com mais de 5 milhões de anos: dois que orbitam a estrela PDS 70 e outros dois no sistema WISPIT 2. A diferença de idade é significativa porque os modelos atuais indicam que um gigante gasoso como Júpiter deveria levar milhões de anos para se formar. Elias 2-24 b, porém, já apresenta características de um mundo em formação quando seu sistema tem menos de 1 milhão de anos.

Localizado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra, o planeta orbita uma estrela jovem também chamada Elias 2-24, nome relacionado ao astrônomo J. H. Elias. A confirmação veio da combinação de observações. O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, revelou uma abertura no disco; o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, identificou um ponto luminoso na mesma região. A análise de dados arquivados do Observatório W. M. Keck, no Havaí, obtidos em 2018 e com registros adicionais de 2020, permitiu identificar um sinal compatível com um planeta em formação. O uso de um coronógrafo, que bloqueia a luz intensa da estrela, foi fundamental para observar o candidato dentro da lacuna do disco.

Elias 2-24 b tem massa aproximadamente equivalente à de Júpiter, mas orbita a cerca de 55 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Os modelos indicam que um gigante gasoso com essas dimensões levaria cerca de 5 milhões de anos para se formar a uma distância comparável à de Júpiter em relação ao Sol. Quanto mais distante da estrela, maior seria o tempo necessário. O novo objeto, entretanto, teria surgido em menos de 1 milhão de anos.

Para Bernardi, a idade é o que torna o objeto especial. "Este é o planeta mais jovem detectado até agora e, como ele ainda está acumulando material de seu entorno, podemos observar uma fase da formação planetária que raramente é vista diretamente", afirmou. O coautor Lucas Cieza, professor da mesma universidade, compara a observação a acompanhar uma versão muito mais jovem de um sistema planetário semelhante ao nosso. "Como nosso Sistema Solar tem bilhões de anos, só podemos reconstruir como ele se formou. Sistemas como Elias 2-24 b nos permitem estudar esse processo enquanto ele ainda está acontecendo", disse.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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