Petista 'liberal'? Como governador Rafael Fonteles entrou no radar de Lula para comandar a economia do Brasil
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a ser o nome mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo uma fonte ouvida pela BBC News Brasil. A especulação ganhou força depois que Fonteles se tornou o governador mais bem votado do país no primeiro turno, com mais de 70% dos votos em seu Estado, e assumiu papel de destaque na campanha do segundo turno.
No discurso da vitória, Lula chegou a se referir a Fonteles como seu "comandante" e destacou a importância da comunicação digital no novo governo. O governador, porém, não confirma a informação. Disse que seu plano é seguir no governo do Piauí e que ainda não trabalha com a hipótese de ir para a Fazenda. "Nunca tratei com Lula sobre qualquer cargo no mandato", afirmou em entrevista ao canal Globonews. Seus assessores também não confirmam um convite.
Matemático com pós-graduação em economia matemática, Fonteles é visto por analistas e colegas do PT como um petista pragmático, de uma ala mais liberal do partido e defensor de uma "frente ampla" com partidos de centro. Sua primeira incursão na gestão pública foi em 2015, como secretário da Fazenda do então governador Wellington Dias (PT). Segundo o cientista político Vitor Sandes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a passagem pela pasta estadual ficou marcada pela adoção de medidas para garantir a responsabilidade fiscal.
Eleito governador em 2022, aos 37 anos — o mais jovem já eleito no Piauí —, Fonteles adotou em seu governo as Parcerias Público-Privadas (PPPs). A principal foi a concessão do serviço de água e saneamento à iniciativa privada, com a extinção da empresa de Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa), mesmo com protestos de servidores e críticas da militância de esquerda. Também cedeu à iniciativa privada o Parque Potycabana, um dos principais de Teresina, e passou a gestão de hospitais estaduais a organizações sociais.
"Fonteles é visto dentro do PT como mais liberal, com uma trajetória política de estimular a concessão de serviços. É uma leitura diferente do restante do PT", explica Sandes. "Mas isso também faz com que ele tenha avaliação positiva em setores mais conservadores, liberais, conseguindo dialogar com esse público." Segundo o professor, o governador também "não deixou de lado o apoio a políticas sociais", em áreas como educação e agricultura familiar, o que se reflete na alta aprovação.
Caso aceite um eventual convite para a Fazenda, Fonteles deixaria o cargo de governador logo após ser reeleito. O vice-governador que assumiria o Palácio de Karnak é Washington Bandeira (PT), considerado uma escolha pessoal de Fonteles. Ex-juiz, Bandeira deixou a magistratura para assumir a secretaria de Educação do governo e é responsável pela estratégia de expansão das escolas em tempo integral. Sobre a possibilidade de assumir o governo, disse à TV Cidade Verde estar "pronto para todas as missões que o povo do Piauí me confiar".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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