Perseguição a Flávio fortalece esforço da direita para presidir Senado
A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos tende a unir a bancada do PL no esforço para eleger Rogério Marinho (PL-RN) presidente do Senado em 2027. Nos bastidores do Congresso, interlocutores próximos das lideranças da oposição avaliam que as medidas impostas contra Flávio pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reforçaram entre os parlamentares a percepção de interferência do Judiciário na independência do Senado.
O movimento do ministro foi classificado em Brasília como perseguição política e interpretado como um recado velado aos senadores: decisões monocráticas poderiam ser usadas contra qualquer um deles. Com esse argumento, os senadores de direita pretendem convencer colegas do Centrão de que o projeto de reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) representa a continuidade da fragilidade da Casa diante do STF. A avaliação de analistas é que a resposta prática desmontou o efeito intimidador pretendido, e a oposição passou a usar o episódio como bandeira de resistência.
O especialista em ciência política Elias Tavares ressalta que a direita pode aproveitar o momento para fortalecer a oposição no Senado, mas alerta para as dificuldades de converter o discurso em apoio real. “Pode fortalecer a mobilização, aumentar a pressão sobre senadores e dar maior visibilidade à pauta. Mas existe uma distância importante entre mobilizar apoiadores e construir uma maioria parlamentar disposta a levar um processo de impeachment, por exemplo, adiante”, afirmou.
A disputa impõe obstáculos matemáticos ao PL. Mesmo com a maior bancada da Casa no próximo ano — 29 senadores —, a oposição terá de buscar adesão entre parlamentares do Centrão (PSD, Republicanos e MDB) para isolar Alcolumbre. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o apoio da federação União Progressista ao nome do senador amapaense garantem base forte ao atual presidente do Senado, que também usa as prerrogativas do comando da Mesa Diretora para atrair indecisos, com a distribuição de lideranças de comissões, relatorias e espaços orçamentários.
O doutor em direito constitucional Rubens Beçak, da USP, avalia que a escalada de Moraes contra Flávio tende a enfraquecer Alcolumbre na corrida pela Mesa. “Não se esqueça de que ele [Alcolumbre] é um grande apoiador do presidente Lula. Portanto, se o cenário realmente mudou, como me parece ter ocorrido no Senado, essa atitude de Moraes acrescenta mais um elemento a esse contexto. Na minha avaliação, Alcolumbre sai um pouco mais enfraquecido em suas pretensões”, ressaltou. Beçak também afirmou que a decisão do ministro é “evidentemente, uma revanche” e demonstra “um espírito persecutório, revanchista, que é deletério”.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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