Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio
Uma culinária criativa pode movimentar a economia de uma comunidade. É o que mostra a experiência de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que transformaram em fonte de renda um peixe antes desprezado comercialmente: a ubarana.
Na Cozinha das Caranguejeiras, localizada na sede da associação, são preparados estrogonofe, escondidinho, almôndegas, bolinhos, coxinhas, croquetes, quibes e risoles feitos com a carne do peixe. A técnica de processamento, baseada em saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor à ubarana em pratos vendidos em almoços especiais e por encomenda. Atualmente, 15 mulheres atuam diretamente na cozinha em sistema de rodízio e recebem um percentual sobre as vendas, ajudando 15 famílias.
Segundo a bióloga Verônica Souza, do Projeto Andadas Ecológicas, a ubarana vive em ambientes costeiros e estuarinos, como os manguezais da Baía de Guanabara, mas tem muitas espinhas finas, o que dificulta o preparo em filés e reduz seu valor comercial. O presidente da ACAMM, Rafael Santos, destacou que a renda dos pescadores também é fortalecida por ações de preservação do manguezal, como a limpeza e o replantio, além da retirada de resíduos do Rio Suruí.
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