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Pará registra maior exploração madeireira dos últimos cinco anos

Por Ivan Marra
Atualizado em 05/11/2026 às 10:20 schedule 3 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O estado do Pará registrou 60.664 hectares de exploração madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, a maior área desde o ciclo 2019-2020. O resultado representa aumento de mais de 40% em relação ao ciclo anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), da Rede Simex, formada por três instituições de pesquisa ambiental: Imazon, Instituto Centro de Vida (ICV) e Imaflora.

Os pesquisadores cruzaram os registros de áreas de exploração madeireira, identificados por meio de imagens de satélite, com as autorizações para a atividade emitidas pelos órgãos competentes. Do total mapeado, 41.538 hectares (68%) foram explorados em áreas autorizadas e 19.126 hectares (32%) de forma ilegal. O levantamento mostrou ainda que, enquanto a atividade autorizada cresceu mais de 83% em relação ao último ciclo, a realizada sem autorização diminuiu cerca de 6%.

Segundo a pesquisadora do Imazon Camila Damasceno, a redução da extração ilegal é algo positivo. No entanto, a área ainda representa uma extensão equivalente a mais de 19 mil campos de futebol de florestas afetadas. “Os números mostram que há muito a avançar. Precisamos fortalecer a fiscalização, ampliar as ações de combate e responsabilização dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunitário”, afirmou, em nota.

Para o coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, Carlos Souza Jr., comemorar apenas a queda percentual da área explorada de forma ilegal significaria ignorar o impacto concreto dessa perda na floresta. “Considerando um cenário conservador de extração de duas a três árvores por hectare, foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil árvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade de sua procedência”, explica. Ele acrescenta que, quando essa quantidade massiva de madeira chega ao mercado sem garantia de origem, todo o setor florestal é prejudicado, o que enfraquece os esforços de transparência e os investimentos de quem opera de forma regularizada no estado.

O levantamento indicou que as terras indígenas do estado concentram apenas 2% de toda a atividade sem autorização detectada — 424 hectares entre agosto de 2024 e julho de 2025. De acordo com os especialistas do Imazon, o resultado reforça a importância desses territórios como barreiras à expansão de crimes ambientais. Segundo a Rede Simex, esse é o segundo menor volume da série histórica, atrás apenas do calendário de agosto de 2019 a julho de 2020, quando foram identificados 158 hectares. “A redução da extensão afetada não significa que o problema esteja resolvido. A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente”, alertou Camila. Os dados mostram que a ilegalidade no período ficou concentrada em um único local, a Terra Indígena Amanayé, que aparece pela quinta vez consecutiva nos boletins da Rede Simex, evidenciando a continuidade das invasões na região. A pesquisadora ressalta que, além dos danos ambientais, essa exploração representa violações aos direitos dos povos originários. “Expõe as comunidades a conflitos, ameaças e restrições ao direito de circular livremente em sua própria terra, com possíveis impactos sobre a saúde e os modos de vida tradicionais.”

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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