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O testemunho de dom Pedro II, ou: que falta nos faz um estadista

Por Ivan Marra
Atualizado em 03/09/2026 às 18:05 schedule 2 min de leitura visibility 30 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Dom Pedro II: o que os registros históricos revelam sobre o imperador

Anotações pessoais de André Rebouças, importante abolicionista brasileiro, e registros de historiadores como José Murilo de Carvalho ajudam a traçar um retrato de dom Pedro II que contrasta com versões frequentemente apresentadas em sala de aula e em debates públicos. O material disponível indica um governante com posições liberais para o seu tempo, especialmente em relação à escravidão, e um estilo de vida simples, distante do luxo associado às cortes europeias.

Um episódio narrado por Rebouças em seu diário, de 1868, ilustra a posição do imperador sobre o tema. Durante uma conversa com o conselheiro Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato, que defendia o esclavagismo, dom Pedro II teria afirmado que "não era mais possível que o Brasil fizesse exceção entre as nações civilizadas" e que era preciso fazer algo em prol da emancipação. O registro sugere que o imperador já defendia medidas abolicionistas no fim da década de 1860, contrariando a tese de que ele seria indiferente ou favorável à manutenção da escravidão.

A conduta pessoal do monarca também é documentada. Segundo relatos compilados por Carvalho, dom Pedro II mantinha audiências públicas abertas a qualquer cidadão, inclusive pessoas escravizadas ou libertas, ouvindo queixas e encaminhando demandas aos ministros. Historiadores registram ainda que, ao assumir o trono em 1840, ele alforriou seus escravos e passou a pagar salários aos chamados Escravos da Coroa. Em seu próprio testemunho, redigido em 1891, o imperador afirmou que "jamais deixou de ouvir e falar a quem quer que fosse".

Após o golpe que o destituiu em 15 de novembro de 1889, dom Pedro II teria levado consigo um punhado de terra do Brasil, pedindo que fosse usado em seu travesseiro para o enterro. Para Carvalho, o gesto não era demagogia, mas a expressão de um homem obrigado a morrer longe da pátria. O imperador faleceu em 1891, no exílio, sem ter retornado ao país.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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