O que o Canadá arrisca ao retaliar as tarifas de Trump?
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, suspendeu as negociações comerciais com a Casa Branca e anunciou retaliação às novas tarifas americanas, em uma aposta que coloca os dois países em território inédito após décadas de livre comércio. Carney classificou as tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos canadenses como um "erro de cálculo" destinado a "nos prejudicar e dividir", e confirmou que aplicará taxas equivalentes, "dólar por dólar", a partir de 8 de setembro, incluindo aço, laticínios, eletrodomésticos e eletrônicos.
A decisão, uma das primeiras de um líder mundial a abandonar a mesa com o governo Trump, será um teste político para Carney, que precisa convencer os canadenses de que o custo econômico compensa. Pesquisas indicam apoio à firmeza: 56% querem que Ottawa adote postura dura, enquanto 36% apoiam a retaliação. O Canadá já sente os efeitos da disputa — o boicote a viagens aos EUA causou perda de US$ 2,35 bilhões no ano passado, e as exportações de vinho americano ao país caíram 78%.
Carney afirmou que os termos propostos pelos EUA em cima da hora eram "injustos, antieconômicos e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo". O colapso das negociações também coloca em dúvida o futuro da revisão do pacto de livre comércio entre EUA, México e Canadá, enquanto líderes provinciais, como o de Ontário, Doug Ford, demonstram apoio à decisão: "Não começamos essa luta, mas posso garantir que vamos vencê-la".
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