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O que foi a Escola de Salamanca, a origem esquecida da liberdade econômica

Por Ivan Marra
Atualizado em 05/09/2026 às 14:25 schedule 3 min de leitura visibility 28 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Escola de Salamanca completa 500 anos como berço de ideias que moldaram a economia moderna

Neste mês de setembro, completam-se cinco séculos da chegada do teólogo dominicano Francisco de Vitoria (1483-1546) à Universidade de Salamanca, na Espanha. O marco deu início a uma corrente intelectual que uniu teologia, direito e economia para responder aos problemas de seu tempo — e cujos efeitos se estenderiam por séculos, influenciando o pensamento sobre liberdade econômica e limites do poder político.

Vitoria assumiu a Cátedra de Prima da universidade castelhana em 7 de setembro de 1526, após passagem pelo studium generale de Valladolid. Educado na Universidade de Paris e membro da Ordem dos Pregadores, destacava-se pelo prestígio e pela preparação. Durante vinte anos, até sua morte, esteve ligado a Salamanca e ao convento de São Estêvão, onde formou discípulos como Domingo de Soto, Melchor Cano e Domingo Báñez. Embora especialistas debatam os limites exatos do grupo — há quem inclua o jesuíta Francisco Suárez, que nunca lecionou em Salamanca —, a Escola está ligada ao magistério de Vitoria e a um "espírito científico comum", como definiu o pesquisador Juan Belda Plans.

Os pensadores do grupo combinavam um tomismo aberto com as inquietações do humanismo renascentista. A atitude inovadora de Vitoria se refletiu na pedagogia: ele adotou o método de ditar lições e exigir que os alunos tomassem notas, além de promover "releituras" — conferências abertas à comunidade universitária sobre temas públicos, aproximando os intelectuais da sociedade e da política de então. Sua decisão de substituir Pedro Lombardo pela Suma Teológica de São Tomás de Aquino como base das aulas marcou a modernização da escolástica, que se encontrava rígida e presa a debates estéreis.

As contribuições do grupo foram amplas e interdisciplinares, abrangendo desde a doutrina da guerra justa e o direito de conquista até a legitimidade da cobrança de juros, o preço justo, os efeitos inflacionários da cunhagem de moeda e questões teológicas sobre liberdade e graça. Enquanto o pensamento político europeu caminhava para o absolutismo, os teólogos espanhóis se dedicavam a limitar a autoridade dos monarcas — princípios que só seriam consolidados séculos depois, com o Iluminismo.

A recepção histórica da Escola variou ao longo do tempo, inclusive na historiografia espanhola, que oscilou entre exaltar suas contribuições e silenciar sobre elas. Apesar da atenção desigual, o legado do grupo permanece objeto de estudo de juristas, economistas, cientistas políticos e historiadores, que reconhecem na matriz teológica dos mestres de Salamanca a origem de ideias que ajudaram a formar o pensamento ocidental sobre liberdade e justiça.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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