O que explica o crescimento das redes bilionárias de SC em meio à crise do varejo
Treze varejistas de Santa Catarina registraram vendas acima de R$ 1 bilhão em 2025, e dez delas ampliaram o faturamento em relação ao ano anterior, segundo o Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, do Instituto Retail Think Tank (IRTT). O desempenho contrasta com o cenário nacional: em agosto, o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial para reorganizar R$ 17,3 bilhões em dívidas, e o varejo brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com 986 empresas em recuperação judicial, alta de 20,4% em um ano, conforme o Monitor RGF-BIZDOC.
A Havan lidera o grupo catarinense e ocupa a 14ª posição no país, com R$ 18,3 bilhões em vendas e alta de 16%. Na sequência aparecem o Grupo Pereira, dono do Fort Atacadista e do Comper, em 16º lugar, com R$ 17,5 bilhões e avanço de 14%, e o Grupo Koch, do Komprão e do SuperKoch, em 21º, com R$ 12,9 bilhões e crescimento de 25%. As 300 maiores varejistas do país faturaram R$ 1,3 trilhão em 2025, com alta nominal de 8,6% entre as 227 empresas com dados comparáveis. No segmento de lojas de departamento e artigos para o lar, que cresceu apenas 2% no ranking nacional, a rede catarinense avançou oito vezes mais.
Oito das 13 empresas catarinenses estão entre as 100 maiores do país. A Koerich, de móveis e eletrodomésticos, teve a maior alta do grupo, de 36%, e chegou a R$ 1,5 bilhão. Também cresceram Giassi (10%), Angeloni (2%), Passarela Supermercados (15%), Mundial Mix (11%), Studio Z (13%) e Rede Top (16%). A Portobello Shop ficou estável e a Clamed, dona da Drogaria Catarinense, não tinha resultado anterior para comparação. A Cassol Centerlar, de materiais de construção, foi a única a vender menos: queda de 5%, para R$ 1,03 bilhão.
O comércio varejista catarinense vendeu 5,9% mais no último ano, contra 1,6% na média nacional — o segundo melhor resultado do país, atrás apenas do Amapá, segundo o IBGE. O ritmo vem acelerando há três anos: 2,8% em 2023, 4% em 2024 e 5,9% em 2025, de acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina. Para o economista Daniel da Cunha, professor da Univali, a diferença em relação ao resto do país tem três motivos: a expansão demográfica costeira, que incentiva o modelo de atacarejo; o pleno emprego com distribuição de renda menos desigual; e o processo de fusões e aquisições de varejos médios por grandes redes.
Entre os censos de 2010 e 2022, a população catarinense cresceu 1,14% ao ano, pouco mais que o dobro da média nacional, de 0,52%, com concentração no litoral norte, na Grande Florianópolis e no Vale do Itajaí. A renda média no estado é cerca de 20% maior que a do país. O economista ressalta, porém, que parte do crescimento não vem de mais consumo, mas de redes que trocaram de dono. Em janeiro de 2025, o Cade aprovou a compra da rede Schmit pelo Grupo Pereira, negócio que envolveu sete lojas em Itajaí, Camboriú, Itapema e Bombinhas, um centro de distribuição e cerca de 500 funcionários, segundo a Abras.
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