O que esta cidade no deserto pode ensinar ao mundo sobre como combater mortes por calor
Condado no deserto do Arizona reduz mortes por calor e vira referência global
Em meio a um verão de temperaturas extremas que atinge Estados Unidos e Europa, o condado de Maricopa, no Arizona, onde fica a cidade de Phoenix, tem conseguido reduzir o número de mortes provocadas pelo calor. A região, que registra algumas das temperaturas mais altas do país, adota há anos uma série de medidas que agora servem de modelo para outras partes do mundo.
Os esforços do condado incluem a ampliação do acesso a centros de resfriamento e a instalação gratuita de aparelhos de ar-condicionado para moradores de baixa renda. Em alguns casos, os centros climatizados operam 24 horas por dia. Phoenix também foi a primeira cidade do mundo a criar, em 2021, o cargo de diretor de calor extremo, responsável por coordenar as políticas públicas sobre o tema.
Os resultados aparecem nos números. Depois de atingir o pico de 645 mortes relacionadas ao calor em 2023, o condado registrou 405 mortes em 2025. Especialistas atribuem parte dessa queda às mudanças nas políticas públicas. Até 11 de julho deste ano, no entanto, o condado havia registrado 23 mortes confirmadas, com outras 282 sob investigação — o que pode fazer o total superar o ano anterior.
Pesquisadores ouvidos pela BBC afirmam que a experiência de Maricopa pode ser replicada em outras cidades. A criação de um cargo específico para coordenar ações contra o calor extremo é apontada como um passo fundamental. "É fundamental que alguém seja responsável por essa questão. Se não for responsabilidade de ninguém, ninguém vai enfrentá-la", disse Ladd Keith, diretor da Iniciativa de Resiliência ao Calor da Universidade do Arizona.
Especialistas alertam que as ondas de calor se tornaram mais frequentes, intensas e duradouras por causa das mudanças climáticas. Desde o início da era industrial, a temperatura média global subiu mais de 1,1°C. Para eles, é essencial que governos e população reconheçam que o calor extremo veio para ficar e que o planejamento urbano e de saúde pública precisa levar isso em conta. "Precisamos deixar de planejar com base no calor que enfrentamos no passado e começar a nos preparar para o calor que teremos nos próximos cinco a dez anos", afirmou Keith.
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