O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar
Falhas graves que passaram despercebidas por mais de uma década em uma das linguagens de programação mais usadas na internet vieram à tona nesta semana e provocaram um alerta global de segurança cibernética. As vulnerabilidades estão no PHP, sigla em inglês para Hypertext Preprocessor, tecnologia usada desde os anos 2000 para construir sites e que sustenta desde lojas online até a Wikipédia e o WordPress, sistema de gerenciamento de conteúdo por trás de muitos blogs.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC, o PHP é o código que coleta as informações necessárias e as apresenta de forma legível ao usuário quando ele visita uma página. A falha permite que invasores assumam o controle dos servidores afetados sem autenticação e roubem dados confidenciais. O pesquisador Paul Spain estima que a vulnerabilidade poderia afetar "milhões" de sites, e a inteligência artificial pode tornar esses ataques ainda mais fáceis e rápidos.
O alerta interrompeu serviços em todo o mundo, de plataformas de jogos a portais governamentais e fóruns online. A Wikimedia, organização por trás da Wikipédia, desativou vários sistemas por precaução. O governo da Finlândia, a prefeitura de Edimburgo, a agência de segurança cibernética da Holanda e a própria BBC retiraram seus sites do ar por um período, assim como organizações públicas da Escócia, incluindo conselhos e autoridades de saúde.
Os desenvolvedores do PHP lançaram atualizações para corrigir as vulnerabilidades e recomendaram que todos os usuários façam a atualização imediatamente. A Agência de Segurança Nacional dos EUA orientou organizações que utilizam a linguagem a desligarem seus sistemas caso não consigam aplicar a correção de imediato, alertando que a falha pode abrir um "caminho direto" para explorar bancos de dados. O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido pediu a verificação de possíveis "portas traseiras instaladas por um invasor", e autoridades da União Europeia, de Singapura e da Austrália emitiram alertas semelhantes. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, pediu que as pessoas verificassem se seus sites públicos usam PHP e afirmou que a suspensão temporária de páginas pode ser uma medida eficaz para reduzir o risco.
As falhas foram descobertas por pesquisadores das empresas de segurança Calif e Wiz com o auxílio de ferramentas avançadas de inteligência artificial, capazes de analisar código e localizar problemas muito mais rápido do que humanos ou sistemas antigos. A OpenAI, cuja tecnologia foi usada na descoberta, classificou o caso como "um dos problemas de segurança mais impactantes da história recente" e afirmou ter lançado um programa para verificar a segurança da plataforma. Para o pesquisador Salil Kanhere, os problemas não eram novos — o que mudou foi a capacidade de encontrá-los. Ele alerta que novas tentativas de exploração devem ocorrer nas próximas semanas e recomenda que usuários fiquem atentos a avisos de segurança e a mensagens de phishing que explorem a publicidade em torno do incidente.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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