O número que pode definir vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro no 2º turno
Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 2,2 milhões de votos, ou 1,8 ponto percentual. As simulações da Quaest indicam os dois tecnicamente empatados desde setembro. Na última divulgação do instituto, Flávio aparece entre 43% e 47% das intenções de voto, e Lula, entre 42% e 46%, considerando indecisos. O Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil aponta Flávio dois pontos à frente, com 47% ante 45%.
Para o cientista político Rodrigo Mahlmeister, pesquisador na Universidade Duke, a virada é possível, mas depende menos de uma queda da abstenção e mais da capacidade de Lula de tirar votos do adversário. "Tem pouca margem para a abstenção ou para os brancos e nulos reduzirem tanto assim, de uma forma que faça muita diferença", afirma. Ele aponta três pontos de atenção: o comparecimento, o desempenho dos candidatos no Nordeste e a conversão de quem votou em Flávio no primeiro turno.
No primeiro turno, a abstenção ficou em 21,08%. Historicamente ela cresce no segundo turno, com exceção de 2022, quando caiu 0,4 ponto percentual — única vez desde 1989. Mahlmeister atribui o movimento à mobilização das campanhas e não descarta repetição, mas ressalva que o espaço é pequeno. Neste ano, um fator contrário é que a maior parte dos governadores foi eleita ou reeleita no primeiro turno, o que reduz as disputas locais capazes de estimular o comparecimento.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, vê nos brancos e nulos a principal possibilidade de mudança, como em 2014, quando esses votos caíram quase 4 milhões entre os turnos e ajudaram Dilma Rousseff (PT) a vencer. Já o cientista político Jairo Nicolau, professor da FGV, partiu da diferença de 2,2 milhões de votos e estimou a transferência da chamada "terceira via": Flávio ficaria com 37%, Lula com 25% e 38% se dividiriam entre branco, nulo, abstenção e indecisos. Num cenário otimista para o petista, a vantagem de Flávio cairia para 2,4 milhões de votos (51% a 49% dos válidos). Nesse quadro, Lula precisaria convencer cerca de 1,2 milhão de eleitores de Flávio a mudar de lado — pouco mais de 2% dos que votaram no candidato do PL no primeiro turno.
A pesquisa da Quaest indica que Lula mantém 95% dos eleitores do primeiro turno e Flávio, 94%. O instituto também aponta que 8% dos eleitores de Flávio admitem a possibilidade de mudar de voto, o que, nas contas de Nicolau, equivale a quase 5 milhões de pessoas. Mahlmeister vê duas oportunidades para o petista: absorver eleitores de candidatos derrotados e ampliar espaço entre indecisos, sobretudo mulheres. "Mas o eleitorado está muito calcificado", diz.
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