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O jovem que criou portal para localizar desaparecidos em terremoto na Venezuela

Por Celso Rafael
Atualizado em 23/10/2026 às 21:05 schedule 3 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O programador venezuelano Jorge Bastidas, de 32 anos, criou uma plataforma para que parentes pudessem registrar e buscar informações sobre pessoas desaparecidas após os dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. Ele estava em Bogotá, a trabalho, quando um amigo ligou para avisá-lo dos tremores. Bastidas cancelou as reuniões e tentou contatar a família, mas as ligações não completavam. Colegas venezuelanos ao seu redor enfrentavam o mesmo problema.

Meia hora depois dos tremores, ele percebeu em um chat de um canal de notícias no YouTube que a maioria dos usuários pedia informações sobre entes queridos. "Senti tanta impotência por estar fora do país que procurei outra forma de ajudar", relatou, quase quatro meses após os terremotos. Com ajuda do Claude, ferramenta de inteligência artificial da Anthropic, projetou e publicou o site "Desaparecidos Terremoto Venezuela" quatro horas e meia após os tremores. "A inteligência artificial atuou como a equipe de programação da plataforma", explicou.

Durante quase quatro meses, a página recebeu 82.610 registros. Após depurar os dados e eliminar duplicidades com o apoio de voluntários, o portal contabiliza pelo menos 29.486 pessoas que ainda não puderam ser contatadas. Não há como saber com certeza o que aconteceu com elas, já que o governo venezuelano não divulgou uma lista de desaparecidos nem criou um canal oficial para registrar esses casos. Outra plataforma independente, a Venezuela Reporta, estima 41.357 pessoas não contatadas com base nos registros recebidos dos cidadãos.

Na madrugada de 25 de junho, Bastidas enviou o link a parentes e conhecidos, e uma amiga compartilhou o projeto em redes sociais. O tráfego chegou a cerca de 800 mil usuários em um dia, e a página saiu do ar, exigindo mudanças na infraestrutura. Depois, começaram a chegar registros falsos e conteúdo impróprio, o que levou o programador a reforçar restrições, bloquear padrões de nomes, criar um painel de moderação e incluir a opção de denunciar conteúdo.

Em 25 de junho, Bastidas foi contatado pela LAB-CO, laboratório de inovação que atua no México, que ofereceu um modelo de reconhecimento facial para comparar retratos das pessoas registradas como desaparecidas. O economista venezuelano Santiago Rosas, cofundador da LAB-CO, explicou que a ferramenta teve como base o identIA, modelo de IA usado para identificar pessoas falecidas por meio de tatuagens, adaptado ao caso venezuelano. Nas duas primeiras semanas, a seção de reconhecimento facial foi visitada por 19 mil usuários, segundo o Google Analytics.

Enquanto isso, a advogada venezuelana Daneli Hernández, que vive na Argentina e colabora com Bastidas, mobilizou contatos na Venezuela para obter listas manuscritas de pessoas que chegaram aos hospitais. Uma equipe de 15 a 20 pessoas transcreveu esses registros para computadores e cruzou os dados para eliminar repetições. Segundo Hernández, foram obtidos mais de 3 mil registros, provenientes de quase todos os hospitais de Caracas e La Guaira.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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