O embate sobre as reformas e o futuro da Ucrânia
No 36º ano de sua independência, a Ucrânia enfrenta um paradoxo: o complexo militar-industrial registra crescimento recorde, enquanto o restante da economia sofre retração. Segundo análise da RBK-Ucrânia baseada em consultas a especialistas, o simples crescimento do PIB não garante o retorno de milhões de cidadãos no exterior nem uma recuperação sustentável no pós-guerra. A economista-chefe da Dragon Capital, Elena Bilan, observou que o setor militar ainda não é um indicador de crescimento saudável para toda a economia, diante da desaceleração do consumo e da destruição de ativos empresariais e infraestruturas logísticas.
Especialistas apontam que a ajuda externa deve ser vista como uma ponte, não como um modelo, e que a base do crescimento deveria vir de investimentos privados. A escassez de mão de obra, já estrutural, exige aumento de produtividade, automação e requalificação de trabalhadores. Segundo estimativas citadas, há cerca de 5 milhões de migrantes forçados ucranianos no exterior, e mesmo em cenário otimista, não mais de 50% a 60% retornariam. O debate sobre o modelo econômico contrapõe defensores da industrialização a economistas que alertam para a era pós-industrial, destacando a necessidade de melhorar a educação, reter talentos e criar ecossistemas favoráveis à inovação, além de enfrentar a corrupção e fortalecer o Estado de Direito.
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