O Custódio da Terra Santa: “somente quem vive a guerra não se acostuma com ela”
Padre Francesco Ielpo: “Somente quem vive a guerra não se acostuma com ela”
O padre Francesco Ielpo, Custódio da Terra Santa desde junho de 2025, descreveu a situação na região como “dramática, de grande dificuldade e de grande sofrimento”. Em entrevista à mídia vaticana durante o Meeting de Rimini, o religioso afirmou que as pessoas estão cansadas após meses de conflito e tensão, sem perspectivas de um futuro melhor. Segundo ele, há uma crise econômica grave na Cisjordânia, com falta de emprego, o que leva muitas famílias a considerar deixar a terra.
Ielpo defendeu que “todos os caminhos trilhados pelas armas nunca levam a uma paz verdadeira, assim como nunca levam a uma segurança verdadeira”. Para ele, o direito à segurança é sagrado, mas os meios para alcançá-la passam pela política, pela diplomacia e, sobretudo, pelo diálogo — um caminho mais desafiador e que exige mais tempo, mas que pode conduzir a uma paz justa e desarmada.
Sobre a solução dos dois Estados, defendida recentemente pelo Papa Leão XIV, o Custódio reconheceu que a concretização é objetivamente difícil, mas ressaltou que é a única hipótese em discussão capaz de levar em conta o bem de ambos os povos. “É preciso partir de uma hipótese e começar a dar os primeiros passos”, afirmou, admitindo que o prazo não será curto.
O religioso também falou sobre o papel dos cristãos na Terra Santa. Para ele, a tarefa é permanecer ao lado das comunidades, sem deixá-las sozinhas, compartilhando o mesmo destino e a mesma esperança. Ele destacou a importância de manter o coração imune ao “vírus do ódio e do rancor” e de não generalizar atos de violência, evitando que decisões políticas se transformem em sentimento antissemita. Ielpo observou que, apesar do cenário adverso, há associações e pessoas, tanto do mundo judaico quanto do islâmico, que testemunham outro caminho possível.
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