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O caso da herdeira alemã acusada de encomendar o sequestro dos próprios filhos que levou a um escândalo de espionagem

Por Ivan Marra
Atualizado em 18/10/2026 às 06:05 schedule 4 min de leitura visibility 9 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um tribunal de segurança máxima em Hamburgo julga há 15 meses a herdeira Christina Block, de 53 anos, acusada de contratar uma empresa israelense de segurança para sequestrar os próprios filhos na Dinamarca, em meio a uma disputa pela guarda das crianças com o ex-marido, Stephan Hensel. O caso, que mantém a Alemanha em suspense, desencadeou o maior escândalo de espionagem do país na história recente e envolve ao menos dois ex-agentes secretos, um alemão e um israelense.

Segundo a acusação, Christina e o advogado da família, Andreas Costard, organizaram a operação, executada por um cidadão israelense de 36 anos identificado apenas como Jonathan G e outras cinco pessoas. O sequestro teria ocorrido na virada de 2023 para 2024, durante as comemorações de Ano-Novo, quando as duas crianças — então com 10 e 13 anos — e o pai assistiam a uma queima de fogos. Os promotores afirmam que vários homens emboscaram e agrediram Hensel e arrastaram o menino e a menina para dentro de um carro. Perto da fronteira com a Alemanha, o grupo teria trocado de veículo, colocado fita adesiva na boca das crianças e amarrado as mãos da menina. Em seguida, os suspeitos teriam viajado em um motorhome até Baden-Württemberg, onde as crianças ficaram contra a própria vontade até 2 de janeiro de 2024, quando a mãe chegou para buscá-las e as levou para casa, em Hamburgo.

Christina Block, Andreas Costard e Jonathan G são acusados de sequestro de menores, lesão corporal grave e cárcere privado. O companheiro de Block, o ex-apresentador de programas esportivos Gerhard Delling, e outras três pessoas respondem por cumplicidade. Todos negam irregularidades, com exceção de Jonathan G, que admitiu envolvimento, mas disse ao tribunal que acreditava participar de uma operação de resgate. Christina nega ter conhecimento de qualquer plano para sequestrar as crianças e sua defesa argumenta que a equipe israelense agiu por iniciativa própria. Ela afirmou ao tribunal que o episódio foi "uma catástrofe" e que nunca havia desejado algo semelhante. O chefe da equipe de segurança, David Barkay, descrito por outra testemunha como ex-agente do Mossad, disse que Christina e Costard sabiam da operação planejada para levar as crianças de volta à Alemanha.

O julgamento é desdobramento de anos de disputas judiciais. Após a separação, os quatro filhos do casal foram morar com a mãe, em Hamburgo, e Hensel mudou-se para a Dinamarca, onde as crianças o visitavam. Em 2021, os dois filhos mais novos não foram levados de volta a Hamburgo como combinado. Um tribunal alemão decidiu que Christina tinha a guarda e que as crianças deveriam ser devolvidas, mas, em fevereiro de 2023, uma corte dinamarquesa determinou que, embora levadas ilegalmente ao país, elas não poderiam ser retiradas de lá. Em maio de 2023, Hensel foi acusado de sequestro de menores em processo ainda em andamento; ele acusou Christina de ser violenta com os filhos, o que ela nega, e disse ao tribunal que o ex-marido queria se vingar.

A ligação com o ex-chefe do serviço de inteligência alemão August Hanning diz respeito a uma tentativa anterior, em 2022, de sequestrar as crianças e levá-las de volta da Dinamarca. Os promotores afirmam que Hanning organizou a contratação de seguranças enviados ao país junto com Christina, e seu advogado nega as acusações. Durante buscas em sua casa, investigadores encontraram indícios de que ele teria participado da compra de cerca de 2 mil documentos de seu ex-chefe de gabinete e repassado segredos de Estado a potências estrangeiras não especificadas. Aos 80 anos, Hanning está preso, acusado de espionagem em favor de potências estrangeiras com intenção de traição; sua defesa afirma que ele é "perseguido injustamente" e que as acusações são "infundadas". O julgamento de Christina Block está suspenso por duas semanas, após um dos vários adiamentos ao longo dos últimos 15 meses — o mais recente ocorreu porque a atual esposa de Hensel não compareceu ao tribunal.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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