Nunes Marques volta a censurar canal “Exército do Lula” e cita responsabilização do presidente
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, voltou a impor restrições ao canal de WhatsApp “Exército do Lula”, ligado ao deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão desta terça-feira (13) condiciona a retomada das atividades da ferramenta à comunicação de seus endereços eletrônicos à Justiça Eleitoral. O ministro também admitiu a possibilidade de responsabilização do presidente da República pelo uso do canal, que reúne 4 milhões de seguidores.
O novo capítulo do caso surgiu após a área técnica do TSE identificar alterações no histórico de publicações. Segundo relatório encaminhado ao tribunal, mensagens veiculadas entre 25 e 29 de setembro foram apagadas ou editadas, deixando lacunas que impediram uma análise completa dos riscos. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou à corte um dossiê no qual relacionou 499 mensagens excluídas — três delas já haviam sido classificadas como fake news pelo próprio TSE, que determinara a remoção dos conteúdos.
Ao justificar a exigência de registro do canal, Nunes Marques afirmou ser “incontroverso” que Janones “atua em coordenação com a campanha presidencial”. A disputa judicial começou com um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de divulgar fake news sobre Nossa Senhora, uma suposta ligação do candidato com milícias, lavagem de dinheiro na Kopenhagen e cortes no INSS. A representação, no entanto, não apresentou atas notariais nem registros digitais que documentassem os conteúdos apontados.
O ministro havia determinado a censura do canal no domingo (11), mas o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Cueva, derrubou a medida horas depois, até que o plenário do TSE examine o caso. Na segunda-feira (12), a equipe técnica do tribunal informou que não localizou as publicações mencionadas na ação, sem descartar que os conteúdos tenham sido excluídos antes da verificação.
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