Novo presidente anuncia ofensiva contra cultura woke e linguagem neutra na Colômbia
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou nesta quinta-feira (15) uma ofensiva contra a chamada cultura woke e a linguagem neutra no país. Durante visita ao Ministério da Cultura, em Bogotá, o mandatário afirmou que seu governo promoverá uma “contrarrevolução cultural” para recuperar os valores tradicionais colombianos e combater o que considera uma tentativa da esquerda de impor suas ideias nas instituições públicas.
“O wokismo é um dos grandes cânceres que ameaçam a unidade nacional e a sociedade colombiana”, declarou De la Espriella durante o encontro com servidores da pasta. O presidente de direita acusou movimentos ligados à cultura woke de tentar substituir valores como a família, a identidade nacional e a liberdade individual por ideias que, segundo ele, promovem o relativismo moral. Também criticou o uso da linguagem neutra, a influência de questões de gênero na educação e interpretações históricas que apresentam a sociedade como uma disputa permanente entre opressores e oprimidos.
Durante o governo do esquerdista Gustavo Petro, a Colômbia adotou orientações para o uso da linguagem neutra nos órgãos públicos. Em dezembro de 2025, o Departamento Administrativo da Função Pública publicou um memorando que estabeleceu o uso da linguagem “neutra e inclusiva” em documentos oficiais e comunicações das instituições públicas. O texto também orientava os servidores a respeitar os pronomes escolhidos por “pessoas não binárias”.
“Acabou a perversidade de transformar a cultura em um mecanismo de doutrinação, sobretudo de crianças e adolescentes. A função do Estado deve garantir a liberdade cultural, não fabricar uma cultura oficial que sirva ao governo de turno”, afirmou o presidente. De la Espriella determinou que os órgãos do Poder Executivo deixem de participar de atividades que promovam essas ideias e deixou um recado aos integrantes do governo que não concordarem com a nova orientação: “Quem está no governo do tigre deve ter os mesmos princípios e valores. Se não for assim, deve dar um passo ao lado”.
Outra mudança anunciada foi a recuperação do antigo nome do Ministério da Cultura, que passará a ser chamado de Ministério da Cultura e Patrimônio. Durante o governo Petro, a pasta havia sido rebatizada como Ministério das Culturas, das Artes e dos Saberes. O novo governo também pretende dar maior atenção à preservação do patrimônio religioso colombiano, incluindo igrejas, conventos, obras de arte cristãs, arquivos e documentos históricos ligados ao cristianismo. O presidente ainda ordenou à ministra da Cultura, Paola Holguín, que retire de espaços públicos homenagens que considera uma exaltação ao terrorismo.
As declarações provocaram críticas da oposição. O deputado Duvalier Sánchez, do Partido Verde, criticou o que classificou como uma tentativa de De la Espriella de estabelecer quais valores devem representar a sociedade colombiana. O ex-ministro da Cultura Juan David Correa, que integrou o governo Petro, também criticou o discurso nas redes sociais e classificou as declarações como “palavras tolas”, acusando o novo governo de demonstrar “precariedade intelectual”.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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