Na disputa com bancos, cooperativas de crédito ainda se veem “longe do teto”
O cooperativismo de crédito brasileiro vive um momento de expansão acelerada, mas seus dirigentes avaliam que o setor está longe de esgotar o espaço disponível no sistema financeiro nacional. Na última década, os depósitos nas cooperativas cresceram acima de 20% ao ano, movimento que levou o segmento a alcançar R$ 1 trilhão em ativos e mais de 21 milhões de associados em 2025. A participação de mercado, no entanto, ainda gira em torno de 8%.
“Temos muito espaço ainda, estamos longe do teto”, afirma Cesar Bochi, CEO do Sicredi, cooperativa fundada há 124 anos no Rio Grande do Sul e que concentra metade dos ativos do setor. Nos últimos cinco anos, a base de clientes da instituição dobrou, passando de 5 milhões em 2021 para mais de 10 milhões em fevereiro de 2026. O cooperativismo como um todo reúne cerca de 23 milhões de associados, o equivalente a 79,1% dos 29 milhões de vínculos cooperativos registrados no país.
O ritmo intenso de crescimento, porém, deve perder força no curto prazo, pressionado pelos juros altos, pelo aperto na renda das famílias e pela elevação da inadimplência. Projeções do Banco Central e a avaliação do dirigente apontam para uma expansão ainda de dois dígitos, mas mais próxima de 10% do que dos 20% vistos na década anterior. “Existe uma pressão muito grande sobre as famílias, sobre o agronegócio e as empresas. Isso faz com que a gente tenha que ser ainda mais cuidadoso”, destaca Bochi. Em 2025, a carteira do cooperativismo cresceu 13,1%, acima dos 8,5% do restante do Sistema Financeiro Nacional.
Como referência de potencial, Bochi cita o modelo francês, em que sistemas cooperativos como Crédit Agricole, BPCE e Crédit Mutuel detêm mais de 60% do mercado financeiro. Nos Estados Unidos, as cooperativas de crédito somam mais de 145 milhões de membros — 44% da população — e administram mais de US$ 2,5 trilhões em ativos distribuídos em 4,2 mil instituições. Na Irlanda, o número de cooperados supera a população, segundo Tiago Schmidt, presidente da Sicredi Pioneira (RS).
No Brasil, o avanço depende de reduzir a concentração regional: o Sul tem 26,3% da população associada a cooperativas, enquanto o Nordeste registra apenas 1,6%. A aposta é que a migração e a expansão da fronteira agrícola disseminem a cultura cooperativa do Sul para o Centro-Oeste e o Norte. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) indica que a presença de uma cooperativa de crédito em um município reduz em cerca de 25% o acesso da população local a programas de assistência social. Dados do Banco Central apresentados pelo Sicredi apontam benefício econômico direto de R$ 31 bilhões para seus associados em 2025, o equivalente a uma economia média de R$ 3 mil por cooperado no ano.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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