Na berlinda, aliado de Lula tenta nova manobra para continuar no poder na Espanha
O presidente do governo da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, anunciou no início de outubro a dissolução do Parlamento e a antecipação das eleições gerais, que estavam previstas para 2027 e agora serão realizadas em 29 de novembro. Com a medida, o premiê repete uma manobra que já havia adotado em 2023 para permanecer no poder.
Naquela ocasião, Sánchez, no cargo desde 2018, antecipou o pleito depois que seu partido perdeu importantes eleições regionais. O objetivo era frear a ascensão do conservador Partido Popular (PP) e do Vox nas urnas e construir uma aliança para se manter no governo. O resultado foi tumultuado: o PSOE perdeu a votação nacional para o PP, mas este não conseguiu formar governo, o que abriu caminho para Sánchez continuar no poder com apoio de legendas regionalistas e separatistas, como o catalão Junts.
Para obter esse apoio, o premiê aprovou uma lei de anistia para separatistas da Catalunha envolvidos no referendo ilegal de independência de 2017, renegociou uma dívida do governo catalão com o Estado espanhol e fez concessões aos independentistas bascos. A parceria, porém, ruiu no começo de outubro, quando o Junts e outros partidos separatistas se juntaram ao PP e ao Vox para rejeitar no Legislativo dois decretos sobre habitação apresentados pelo governo.
É nessa questão que Sánchez aposta para vencer a eleição de novembro. Os decretos rejeitados foram apresentados após protestos em toda a Espanha motivados pelo despejo de Maricarmen Abascal, idosa de 87 anos com deficiência e moradora de Madri cujo aluguel sofreu aumento de 230% depois que o imóvel foi comprado por um fundo de investimentos. A morte dela no início deste mês, após as manifestações e a convocação do pleito, reforçou o discurso do premiê de “nós” contra “eles”. Ao anunciar a antecipação, ele afirmou que o país terá de escolher entre aderir à “onda de extrema-direita” ou continuar sendo “um bastião de abertura, de justiça social e de responsabilidade ambiental”.
Para o professor de relações internacionais Maurício Fronzaglia, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Sánchez viu na crise de aluguéis uma oportunidade de reforçar sua coalizão. “Esse fato, que gera uma comoção nacional, será canalizado na campanha do governo para que ele consiga essa reeleição”, disse. O PP tem liderado as pesquisas e pode formar coalizão com o Vox. Antes dos protestos, o premiê já era pressionado pela crise migratória em Ceuta e por escândalos de corrupção envolvendo membros do PSOE e do governo. Segundo Fronzaglia, a direita deve colocar a imigração no centro da disputa para desgastá-lo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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