'Minha casa desabou e minha irmã está desaparecida': o relato de sobreviventes da enxurrada no Nepal
Uma enxurrada repentina seguida de deslizamento de terra na fronteira entre o Nepal e o Tibete matou ao menos 157 pessoas e deixou centenas de desaparecidos, segundo relatos de sobreviventes ouvidos pela BBC. O guia de trekking Sonam Dorjee, morador do distrito de Rasuwa, contou que ouviu o som das águas se aproximando de sua aldeia na quarta-feira (26/8). Ele perdeu a casa e está à procura da irmã, Dechen Tamang, que segue desaparecida junto com o marido e outros familiares.
“Parecia um terremoto”, disse Dorjee, que havia saído uma hora antes para ir de carro a Katmandu. “A minha casa desabou... Vi uma fotografia.” Ele afirma que muitos sobreviventes ficaram sem moradia e precisam de resgate, evacuação de emergência, alimentos, alojamento temporário e apoio médico. “Há uma hipótese de 10% que nos dá esperança”, completou, referindo-se à possibilidade de encontrar a irmã com vida.
No distrito de Nuwakot, às margens do rio Bhotekoshi, Kalpana Malla relatou que a enchente “levou tudo” e que familiares foram arrastados diante de seus olhos. O pai, a mãe, a irmã e os filhos da irmã foram levados pela correnteza. “Eles não conseguiram escapar da enchente; não havia qualquer possibilidade”, contou. Ela e o filho sobreviveram subindo no telhado de uma casa. O filho, Sugam Malla, disse que salvou a mãe puxando-a pela mão e que está preocupado com a irmã, que não atende o celular desde que o aparelho foi entregue a ela para pedir ajuda. Goma Pandit, também de Nuwakot, afirmou que perdeu todo o gado e a plantação, incluindo dez sacos de sementes de mostarda, toneladas de milho e arroz.
O Conselho de Turismo do Nepal informou que, entre os desaparecidos, há 579 viajantes — 466 estrangeiros e 61 nepaleses. Os estrangeiros são de 28 países, com 133 da Índia, 54 dos Estados Unidos e 33 do Reino Unido. A principal hipótese para a tragédia é que uma avalanche de gelo tenha dado início a uma sequência de eventos. O distrito de Nuwakot registrava 11 mortos e danos a estradas, pontes, redes de comunicação e infraestrutura hidrelétrica, incluindo o projeto de Trishuli.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou o desastre como “repentino” e “de grandes proporções” e afirmou que o governo mobilizou todos os recursos disponíveis para o resgate. As operações do Exército seguem durante a madrugada, com 1.697 militares em ação e outros 656 de prontidão. Seis helicópteros militares resgataram 94 pessoas, cinco helicópteros civis salvaram outras 12 e equipes em terra resgataram 27. O Nepal, que abriga oito das montanhas mais altas do mundo, incluindo o Monte Everest, tem economia fortemente dependente do turismo e da ajuda externa.
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