Memorial a vítimas da violência é reinaugurado no Complexo da Maré
O Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré, também chamado de Praça da Paz, foi reinaugurado nesta quinta-feira (5) no Complexo da Maré, conjunto de favelas da zona norte do Rio de Janeiro. A instalação artística, concebida pela artista Laura Taves e feita com azulejos azuis e brancos, passou por revitalização dos azulejos e dos jardins, além da colocação de bancos e de um velário.
Inaugurado em 2022 com cerâmicas que trazem os nomes de 127 vítimas da violência, o memorial agora incorpora mais 18 azulejos em homenagem a outras pessoas que perderam a vida. Na última década, dezenas de moradores do complexo morreram em confrontos armados. Apenas as operações policiais deixaram 160 mortos entre 2016 e 2025, segundo levantamento da organização não governamental Redes da Maré.
O local escolhido para a instalação é emblemático: uma área limítrofe entre duas comunidades sob influência de facções criminosas rivais, a favela Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro. “É uma área que está bastante marcada ali pela luta dos moradores, por sua resistência, mas também pela violência”, explica a pesquisadora Tainá Alvarenga, da Redes da Maré.
Segundo Tainá, os próprios familiares de vítimas participam da pintura dos azulejos. “É um memorial que trabalha tanto essa ideia de intervenção urbana, mas também de mobilização comunitária. Todas essas ações feitas na construção dele é a partir da mobilização das famílias para pensar memória, direito ao luto”, afirma.
Entre esta quinta-feira e o próximo sábado (7), o Complexo da Maré realiza um seminário sobre como construir caminhos de memória, justiça e reparação para vítimas da violência armada e seus familiares. “A gente quer muito, com o seminário, marcar essa ideia da memória e do direito ao luto das famílias de pessoas que foram vítimas dos confrontos armados entre os grupos, mas também das operações policiais. A gente marca isso no território e dá a possibilidade de as famílias trazerem a memória e também a reivindicação por melhorias dentro do âmbito da segurança pública”, diz a pesquisadora.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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