Mais rápido que a F1: a categoria extrema do automobilismo em que as mulheres são as maiores vencedoras
A categoria de arrancada Top Fuel é atualmente a única modalidade de elite do automobilismo em que as mulheres vencem os homens com frequência na disputa pelos principais títulos. Os números sustentam a afirmação: as mulheres conquistaram sete dos últimos nove campeonatos europeus, e a piloto americana Brittany Force deteve, até recentemente, o recorde mundial de velocidade no esporte.
A sueca Susanne Callin, de 43 anos, é bicampeã europeia da Top Fuel. Ela garantiu o segundo título consecutivo em setembro, na pista de Santa Pod, perto de Northampton, no Reino Unido — o quarto campeonato seguido vencido por mulheres. Do outro lado do Atlântico, Brittany Force conquistou o campeonato norte-americano promovido pela National Hot Rod Association (NHRA) em 2017 e 2022.
Os carros da Top Fuel estão entre os mais rápidos do planeta. A velocidade ultrapassa 480 km/h em corridas que duram apenas quatro segundos, em uma pista reta de 305 metros. Os pilotos sofrem força G maior que a de astronautas lançados ao espaço. A velocidade oficial mais alta já registrada na categoria passa de 558 km/h, bem acima dos mais de 372 km/h de um Grande Prêmio de Fórmula 1. Como os freios sozinhos não conseguem reduzir a velocidade, são abertos paraquedas na traseira dos veículos após a linha de chegada.
Segundo o grupo ativista More Than Equal, as mulheres representam cerca de 10% dos participantes do automobilismo e apenas 4% das pilotos de elite. Na Top Fuel, porém, elas compõem 20% dos pilotos nas temporadas americana e europeia. A entidade classifica a categoria como "a categoria automobilística com maior igualdade de gênero do mundo". Para efeito de comparação, a última mulher a disputar um Grande Prêmio de Fórmula 1 foi a italiana Lella Lombardi, há 50 anos, e ela segue sendo a única a pontuar na categoria.
Fran Longstaff, chefe de inovação da More Than Equal, afirma que pesquisas não identificaram fatores físicos nem biológicos que expliquem por que as corridas de arrancada abrem caminho para a igualdade. Ela aponta um "fluxo contínuo de mulheres visíveis que servem de modelos", além de uma estrutura de base acessível, programas para jovens, boxes abertos e uma cultura colaborativa orientada à família. A pioneira Shirley Muldowney foi a primeira mulher a obter licença para a Top Fuel e venceu o campeonato da NHRA em 1977, 1980 e 1982. Callin diz nunca ter se sentido subestimada nem maltratada por ser mulher na modalidade.
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