“Máfia Verde” em polvorosa com o resultado das eleições
Entidades ambientalistas e cientistas ligados à agenda climática manifestaram reação crítica aos resultados das eleições de 4 de outubro, em movimento que o colunista Lorenzo Carrasco descreve como o "esperneio" do aparato que ele e coautores batizaram de "Máfia Verde" — expressão usada desde 2001 para designar o conjunto internacional de ONGs ambientalistas e indigenistas e suas redes de apoio.
Entre as manifestações citadas está a nota da ONG Climainfo, de 6 de outubro de 2026, segundo a qual avanços na agenda de meio ambiente e clima "correm risco de serem desperdiçados por um possível governo negacionista, vitaminado por um Legislativo dominado pelos lobbies do agronegócio e da indústria de combustíveis fósseis". O texto afirma ainda que a proteção da Amazônia é crucial não apenas para os compromissos climáticos do Brasil, mas para o resto do planeta.
Na mesma data, o climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, assinou artigo no jornal Valor Econômico no qual adverte para o risco de manutenção ou aumento do número de políticos eleitos negacionistas em relação às mudanças climáticas. Ele menciona uma maioria de cerca de 60% de deputados e senadores que apoiariam essas ideias e critica projetos como o que alterou regras de licenciamento ambiental e o que restringe o uso de imagens de satélite para detecção de desmatamento.
Em 8 de outubro, o Observatório do Clima, descrito como ONG "guarda-chuva" que reúne dezenas de entidades, divulgou nota intitulada "Votar em Bolsonaro é um desastre", na qual afirma que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro representaria "o colapso da Amazônia, o fim da proteção aos nossos biomas e o abandono de todos os avanços obtidos pelo país na agenda do clima nos últimos anos". A nota também alerta para a ultrapassagem de 1,5ºC de aquecimento e para a multiplicação de eventos extremos.
Segundo o colunista, a referência depreciativa à Lei Geral do Licenciamento Ambiental demonstra a contrariedade do aparato com a norma, que teria retirado instrumentos de intervenção, entre eles a aplicação de multas ambientais com base em sensoriamento remoto sem inspeções de campo. Para Carrasco, o cenário político criado pelo pleito pode refrear o ímpeto antidesenvolvimentista dessas entidades, e o "esperneio" tende a aumentar após o segundo turno da disputa presidencial.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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