Mães solo celebram fim da escala 6x1: 'Estava vendo a vida dos meus filhos passar'
O Senado aprovou, na quarta-feira (14/10), por 75 votos a 1, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho no Brasil. A proposta ainda precisará ser promulgada em sessão solene pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para ser publicada e passar a integrar a Constituição.
Segundo o Ministério do Trabalho, no final de 2025, a escala 6x1 era a realidade de 14,8 milhões de trabalhadores no país, pouco mais de um terço da mão de obra formal. A implementação ocorrerá em duas fases: a primeira começa 60 dias após a promulgação do texto, garantindo o fim da escala 6x1 e reduzindo a jornada de 44 para 42 horas semanais. Depois de 14 meses, a carga horária cai de 42 para 40 horas semanais.
Para trabalhadoras sem rede de apoio, a mudança representa a perspectiva de mais tempo com os filhos. No Rio de Janeiro, a operadora de caixa Luciana de Almeida, de 36 anos, acorda às 5h para organizar as duas filhas caçulas, deixa-as na escola em Realengo e encara 1h30 de transporte público até o supermercado onde trabalha, em Campo Grande. Sai do serviço às 17h50 e chega em casa perto das 20h, quando libera o filho mais velho, de 15 anos, do cuidado com as irmãs, de 4 anos e 1 ano e 8 meses.
No único dia de folga, diz, sobra pouco para o descanso diante das tarefas domésticas — muitas vezes ainda faz faxinas para complementar a renda. "Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados", afirma Luciana, que trabalha na escala 6x1 no comércio desde os 18 anos. "No dia depois da folga, eu continuo trabalhando cansada." Com o fim da escala, ela terá duas folgas semanais pela primeira vez. "Vou conseguir descansar, resolver coisas da minha vida, até fazer um extra se conseguir", diz. "Estou vendo a vida dos meus filhos passar, não consigo ir em festa de dia das mães, junina, nada."
Em São Paulo, a gerente comercial Fabiane da Conceição, 50 anos, também comemorou a aprovação. Foram 20 anos com apenas uma folga na semana; há 30 dias, assumiu um novo emprego na escala 5x2. "Sinto hoje que perdi a maior parte das coisas que enxergo importante na criação dos filhos. Não os vi aprender a andar, não os levei ao primeiro dia da escola", conta. "Me sinto aliviada quando penso em pessoas mais jovens e outras mulheres que vão viver uma situação que não às leve à exaustão física e mental e à exclusão materna."
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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