Lulinha estabelece o modelo de tráfico de influência e de corrupção no governo Lula
A atuação dos amigos Roberta Luchsinger e Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, pode descrever o esquema padrão para facilitar negócios obscuros com o atual governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a coluna de Sílvio Ribas, os detalhes mostram uma rede que alia relações pessoais a nenhuma transparência.
Diálogos captados pela Polícia Federal (PF) revelam que acessos ao governo eram pagos com dinheiro vivo, beneficiando o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A PF investiga Lulinha em três inquéritos focados em tráfico de influência, cannabis medicinal e serviço de tecnologia. A principal suspeita envolve a tentativa de favorecer Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, em contratos na Saúde que somariam R$ 627 milhões em medicamentos. Mensagens mostram Roberta pedindo agendas oficiais com autoridades enquanto fazia pagamentos de contas pessoais para Marcola.
A defesa alega que os valores eram empréstimos pessoais quitados, sem intermediação ou favorecimento para entes privados. Roberta relatou à CNN Brasil uma rotina de reuniões de Lulinha com ministros do governo e o expediente de recorrerem a ela e ao amigo para ter acesso direto a Lula. As reuniões ocorriam numa mansão no Lago Sul, em Brasília; visitantes adotavam codinomes e o contrato do imóvel foi assinado por um terceiro.
Na arena política, a ala governista no Congresso agiu para conter os danos. Em dezembro de 2025, a CPMI rejeitou a convocação de Lulinha por 19 votos a 12. Logo depois, em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) sustou quebras de sigilo aprovadas em bloco. Lulinha mudou-se para Madri, na Espanha, de forma definitiva em junho de 2025. Roberta, alvo de inquéritos da PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes e desvios bilionários no INSS, cumpre medidas cautelares que exigem o uso de tornozeleira eletrônica.
Lulinha nega as acusações e afirma que seus contatos com ministros são estritamente pessoais. Seus advogados sustentam que as declarações de Roberta à imprensa contradizem depoimentos oficiais. O Palácio do Planalto declarou que Lula não sabia das ações e que o governo não tem contratos com os investigados. O presidente classificou Roberta de “mentirosa” e “pilantra”; ela diz que Lula se provou “covarde” e “mau caráter” para proteger Lulinha. O desfecho depende da validação das provas e de uma possível delação premiada desejada por Roberta.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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