Lula x Flávio no 2º turno: para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado?
Com a definição do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro, as atenções se voltam para os cerca de 9,3 milhões de votos obtidos pelos demais candidatos no primeiro turno. No domingo (4/10), Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — o resultado mais apertado em um primeiro turno desde a redemocratização, em 1989.
Na chamada "terceira via", Augusto Cury (Avante) somou 2,89% dos votos válidos, Renan Santos (Missão) ficou com 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD) com 2,18%. Também disputaram a eleição Romeu Zema (Novo, 0,27%), Samara Martins (UP, 0,10%), Hertz Dias (PSTU, 0,04%), Clariana Barão (DC, 0,03%), Edmilson Costa (PCB, 0,02%), Rui Costa Pimenta (PCB, 0,01%) e Wilson Grassi (Democrata, 0,01%). Juntos, os candidatos de terceira via alcançaram 7,79% dos votos válidos, o menor percentual desde 2006. Após o resultado, Cury, Renan Santos e Caiado não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos, enquanto Zema afirmou que fará campanha contra o PT, sem declarar apoio específico a Flávio.
Migração favorece a oposição, diz cientista política
Para Cila Schulman, cientista política e CEO do grupo Ideia, a transferência de votos neste ano tende a favorecer Flávio. "O mercado de votos para o Lula é muito restrito, porque ele está sozinho no campo da esquerda, então ele não tem como abarcar votos de um Ciro, de uma Simone ou de uma Marina como ele teve em outras eleições", afirmou Schulman à BBC News Brasil, dias antes do primeiro turno. Segundo ela, quem aprova o governo e quem é antibolsonarista já não vota em Lula, restando ao petista uma margem entre eleitores que aprovam sua gestão, mas não declaram intenção de voto nele. "Esse fluxo migratório é mais favorável à oposição, justamente porque tem muitos candidatos assim. Quem vota no Renan, no Zema, no Caiado é quem não aprova o governo."
As últimas pesquisas antes do primeiro turno corroboram essa avaliação. Levantamento Quaest divulgado no sábado (3/10) mostrava que, em um eventual segundo turno, Flávio receberia a maior parte das intenções de voto dos eleitores de Cury, Renan e Caiado. Entre os eleitores de Cury, 34% escolhiam Flávio e 23%, Lula; entre os de Renan, 60% optavam por Flávio e 11% por Lula; e entre os de Caiado, 43% preferiam Flávio e 19%, Lula. A parcela que migraria para votos brancos, nulos ou não comparecimento também é expressiva: 41% entre os eleitores de Cury, 27% entre os de Renan e 36% entre os de Caiado. Os indecisos nesses três grupos somavam 2%.
Em 2022, apesar de ter obtido apoios políticos importantes e liderado uma frente ampla, Lula se beneficiou menos do que seu então rival, Jair Bolsonaro, da transferência de votos da terceira via no segundo turno. Naquele ano, cerca de 10 milhões de eleitores votaram em um candidato que não era Lula nem Bolsonaro no primeiro turno; no segundo, 7 milhões foram para Bolsonaro e 3 milhões, para Lula. A votação de Lula subiu de 57,2 milhões para 60,3 milhões de votos, enquanto Bolsonaro passou de 51 milhões para 58,2 milhões. Ainda assim, Lula foi eleito por uma margem de 2,1 milhões de votos.
A campanha de segundo turno começa nesta segunda-feira (5/10) e segue até a véspera da votação, em 25 de outubro. A nova fase deve ser marcada pelos primeiros debates cara a cara entre Flávio e Lula, que não compareceram a nenhum confronto antes do primeiro turno. Estão previstos debates em 11 de outubro (Grupo Bandeirantes), 18 de outubro (TV Record) e 23 de outubro (Rede Globo). No primeiro turno, Lula teve mais tempo de rádio e TV por conta do tamanho de sua coalizão; no segundo, os dois candidatos terão tempo igual.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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