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Lula pode ser 'varrido' em breve por onda de direita na América Latina, diz revista americana

Por Ivan Marra
Atualizado em 22/10/2026 às 06:05 schedule 3 min de leitura visibility 12 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma coluna publicada nesta quarta-feira (21/10) na revista americana The New Yorker afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode sofrer uma derrota capaz de encerrar sua carreira política e de alinhar o Brasil à onda de direita que avançou sobre grande parte da América Latina. O texto é assinado pelo jornalista Ishaan Tharoor e tem como título "A última dança de Lula", em tradução livre.

Segundo a coluna, as chances no segundo turno favorecem Flávio Bolsonaro, descrito como um político da direita radical. Para sustentar essa avaliação, o texto cita o resultado "surpreendente" do primeiro turno, em que Flávio ficou à frente de Lula, e o histórico brasileiro de que, desde 1989, todos os candidatos que venceram o primeiro turno também ganharam o segundo. "Lula espera que milhões de brasileiros descontentes, que não votaram no primeiro turno, ainda compareçam às urnas para votar nele", escreve Tharoor, que menciona ainda as amplas vitórias da direita no Congresso e nos estados. "Mesmo que Lula consiga uma vitória apertada, ele poderá passar seu próximo mandato bastante limitado por uma estrutura federal dominada pela direita."

Com Flávio como favorito, o Brasil estaria "prestes a se tornar o nome mais importante em uma longa lista de países latino-americanos que se voltaram para a direita nos últimos dois anos", uma guinada que, de acordo com o colunista, vai ao encontro da visão ideológica do governo do presidente americano Donald Trump para o hemisfério.

O texto também recupera o legado dos dois primeiros mandatos de Lula, citando a redução do desmatamento na Amazônia, a liderança do Brasil em questões climáticas e uma política externa que colocou o país à frente do chamado "Sul Global", além dos "vultuosos gastos sociais" favorecidos pelo ciclo de alta nos preços das commodities, que fizeram "dezenas de milhões de pessoas" saírem da pobreza. A coluna aborda ainda a derrocada política após o impeachment de Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato, que levou Lula à prisão por 580 dias entre abril de 2018 e novembro de 2019, e avalia que, mesmo após a vitória sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, o petista não tem conseguido conquistar brasileiros impactados pelo alto custo de vida, preocupados com segurança e Justiça e pessimistas sobre o futuro do país.

Sobre Flávio Bolsonaro, a coluna afirma que ele se comporta como "uma versão mais moderada do pai" e tem sido "claro" sobre os planos de garantir a soltura de Jair Bolsonaro e de punir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que levaram à condenação do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos em regime de prisão domiciliar. O colunista também traça paralelos entre Brasil e Estados Unidos, comparando os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, e aproximando Lula de Joe Biden — com a ressalva de que "ninguém pode acusar Lula, como fizeram com Biden, de não ter a capacidade mental e física necessária para o cargo".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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