Líder do PT no Senado contraria governo e protocola emenda para reduzir maioridade penal
O líder do PT no Senado, senador Camilo Santana (PT-CE), protocolou nesta quinta-feira (15) uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes hediondos. A iniciativa contraria a orientação do governo Lula e provocou divergências entre integrantes da base governista, que defendem a aprovação do texto sem alterações para evitar atrasos na tramitação.
A proposta de Camilo busca apresentar uma alternativa à emenda do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e aliado do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Marinho propõe mudanças mais amplas nas regras da maioridade penal, incluindo a possibilidade de responsabilização penal de adolescentes a partir dos 14 anos em situações específicas, como crimes hediondos e outros delitos graves.
A apresentação da emenda de Camilo expôs divergências dentro do próprio PT sobre a redução da maioridade penal. Embora o senador tenha protocolado a proposta, parte da bancada petista se opõe à mudança. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), confirmou a resistência interna à iniciativa. "O Camilo apresentou uma emenda nesse sentido. (Mas) a bancada do PT está contra essa emenda do Camilo", afirmou.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também defendeu a aprovação da PEC sem alterações. Em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (15), ela afirmou que o entendimento para votar o texto sem emendas já estava estabelecido antes da iniciativa de Camilo. "O acordo para que a PEC fosse aprovada, e será, sem emendas, precede a apresentação da emenda do senador Camilo Santana", declarou Leitão.
Lula orientou aliados a rejeitar mudanças na PEC da Segurança Pública para evitar que a proposta retorne à Câmara dos Deputados. O relator no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), conduz a análise do texto, que o governo pretende aprovar sem modificações de mérito. A alteração da proposta exigiria nova votação pelos deputados e poderia atrasar a conclusão da tramitação. O governo quer concluir o processo antes do segundo turno da eleição presidencial e associar a aprovação da PEC à criação do Ministério da Segurança Pública.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece, no artigo 228, que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e ficam sujeitos à legislação especial, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A PEC da Segurança Pública deve ser votada pelo plenário do Senado. Caso os senadores aprovem mudanças no texto enviado pela Câmara dos Deputados, a proposta precisará retornar à Casa para nova análise.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar