Líder da esquerda do Equador, derrotada por Noboa nas eleições, é presa
A líder esquerdista Luisa González foi presa na madrugada desta quinta-feira (22) pela Polícia Nacional do Equador, a cinco semanas da realização de eleições locais no país. A detenção ocorreu em Canuto, na zona rural da província de Manabí, região onde González cresceu, segundo informou a divisão policial da jurisdição, que não deu mais detalhes porque a operação foi conduzida por agentes enviados diretamente de Quito.
González, derrotada no segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais no Equador, é investigada pelo Ministério Público por suposto financiamento irregular de suas campanhas eleitorais. O órgão informou, por meio de redes sociais, que executou junto da polícia três ordens de prisão para formular acusações à Justiça por lavagem de dinheiro nas províncias de Manabí e Pichincha, cuja capital é Quito, sem especificar se entre os detidos está a líder esquerdista.
Segundo o Ministério Público, no âmbito do caso conhecido como Labirinto são apuradas "possíveis irregularidades no financiamento político e no gasto eleitoral em publicidade durante a campanha presidencial de 2023, por inconsistências nas contribuições e na origem lícita dos recursos". González foi derrotada em segundo turno por Daniel Noboa tanto na eleição de 2023, convocada para definir quem completaria o mandato do então presidente Guillermo Lasso, que renunciou, quanto no pleito de 2025.
No início deste ano, González foi acusada de envolvimento no denominado caso Caja Chica, no qual o Ministério Público atribui um suposto crime de organização criminosa para lavagem de dinheiro, por alegadamente ter financiado a campanha de 2023 com dinheiro em espécie vindo da Venezuela. Em decorrência disso, o partido Revolução Cidadã, dela e do ex-presidente Rafael Correa, foi suspenso em março pelo Tribunal Contencioso Eleitoral a pedido do Ministério Público, em uma ação que o correísmo denunciou como perseguição política do governo Noboa para deixá-los de fora das eleições locais, marcadas para 29 de novembro. González também foi inabilitada para concorrer e tentou, sem sucesso, se candidatar à prefeitura de Manabí apoiada pelo partido indigenista Pachakutik.
Nas redes sociais, o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), padrinho político de González, criticou a prisão. "Prenderam Luisa González. Já chega!", afirmou. Em outros posts, chamou os responsáveis pela detenção da aliada de "palhaços" e "miseráveis" e questionou: "Não sobrou mais ninguém decente no sistema de Justiça? Será que está tudo tão podre assim?". Também no X, o ex-presidente colombiano de esquerda Gustavo Petro (2022-2026) disse que o Equador se transformou em "uma verdadeira ditadura".
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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