Kassab cobra medidas econômicas para PSD ter “relação profunda” com governo Lula
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o partido já foi procurado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir apoio ao quarto mandato do petista. Em entrevista ao jornal O Globo, ele condicionou esse apoio ao anúncio de medidas econômicas e a uma postura do presidente voltada à aproximação com os partidos de centro.
“O governo já nos procurou desta vez, sim. Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato. Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos, sim. Aí poderemos ter uma relação mais profunda”, declarou Kassab. O PSD, sigla que preside, tem três ministérios na atual gestão.
Kassab também não descartou voltar a comandar uma pasta no quarto mandato de Lula. Ele foi ministro das Cidades na gestão de Dilma Rousseff (PT) e chefiou o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações durante o governo de Michel Temer (MDB). “Não está no meu horizonte. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez.”
Segundo ele, a neutralidade do PSD no primeiro turno deve ser usada como trunfo na negociação com o governo. Após a neutralidade dos partidos do centrão no primeiro turno, a maioria das siglas apoiou Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa contra Lula. “O mérito do PT foi explorar as fragilidades do Flávio. A campanha do Lula mexeu bem com o medo das pessoas da volta do bolsonarismo”, comentou.
O presidente do PSD ainda admitiu discutir a proposta de anistia para viabilizar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado. “Com o Flávio tendo deixado o país e mantendo o Bolsonaro inelegível, acho válida a discussão, sim”, disse.
Nas eleições deste ano, o PSD sofreu perdas importantes, com destaque para o Senado, onde a sigla passará de 13 para cinco cadeiras a partir de 2027, além de derrotas na disputa por governos estaduais nas regiões Sul e Sudeste. No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD-PR) não conseguiu eleger o sucessor escolhido, o ex-secretário estadual Sandro Alex (PSD-PR), após abrir mão de concorrer à Presidência da República para priorizar a eleição estadual. “No caso do Ratinho Junior, demorou muito para escolher o sucessor. Se o candidato estivesse em campo há mais tempo, teria mais chances”, lembrou Kassab.
O caso mais emblemático foi a derrota no primeiro turno de Eduardo Paes (PSD-RJ) no Rio de Janeiro, surpreendido por Douglas Ruas (PL-RJ). Kassab afirmou que o partido deve recorrer para que o segundo turno seja realizado. “Estamos contestando no Supremo Tribunal Federal (STF) porque discordamos da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sendo revertida, Paes no mano a mano com o Douglas Ruas vai mostrar que é mais preparado”, rebateu. Quem saiu fortalecida foi a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD-PE), que bateu o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB-PE) no primeiro turno. “Temos a mulher com o maior protagonismo na vida pública brasileira hoje. Se uma mulher for presidente nos próximos dez anos, será ela”, projetou.
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