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Investigação sobre lavagem do tráfico chega ao STF por possível elo com casos Master e INSS

Atualizado em 24/08/2026 às 06:45 schedule 3 min de leitura visibility 17 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
Investigação sobre lavagem do tráfico chega ao STF por possível elo com casos Master e INSS

Uma investigação sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro iniciada em 2024 pela Polícia Civil de São Paulo chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste mês por possível ligação com as fraudes do Banco Master e das aposentadorias do INSS. Batizada de Operação Saturno, a apuração rastreou uma rede de contas, empresas de fachada e pessoas físicas que, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentaram cerca de R$ 48 bilhões em cinco anos.

O ponto de partida foi a prisão de um traficante flagrado com drogas, instrumentos para venda de entorpecentes e R$ 100 mil em espécie. Com a quebra de sigilo bancário dele e de seu fornecedor, a polícia passou a vasculhar transações financeiras sucessivas, partindo de empresas em nome de laranjas até operadores suspeitos de movimentar recursos de diversos esquemas criminosos. A conexão com o Master foi identificada quando a distribuidora Maguinific repassou R$ 7,5 milhões, oriundos de venda de drogas, à fintech Nexpay, que fazia operações de câmbio no banco para pagar vendedores chineses. Outra ligação aparece em duas transferências que somam R$ 940 mil da empresa Wave para a Entre Investimentos e Participações, grupo que mantinha fundos no Master e que teria sido usado para repassar dinheiro à produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Já a suspeita de ligação com as fraudes do INSS surgiu porque a Prospect Consultoria Empresarial, do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, repassou R$ 13,7 milhões à Arpar Administração, Participação e Empreendimento, que transferiu recursos a outras cinco empresas suspeitas de receber dinheiro do tráfico. No relatório final, a Polícia Civil pede o envio do caso à Justiça Federal e indiciou oito pessoas apontadas como controladoras das empresas que lavavam dinheiro. O documento descreve a existência de um “sistema financeiro paralelo”, com serviços que vão da abertura fraudulenta de contas ao câmbio paralelo, e afirma que os esquemas de lavagem não atuam para um único segmento, fundindo operações de tráfico, sonegação, fraudes e contrabando.

O Ministério Público de São Paulo concordou com o envio à Justiça Federal, e o MPF opinou pela remessa ao STF devido à possível conexão com os inquéritos do Master e do INSS, supervisionados pelo ministro André Mendonça. O procurador que analisou o relatório ressalvou, porém, que a análise de relatórios de inteligência financeira pode levar à verificação de esquemas paralelos sem conexão, o que configuraria “descoberta fortuita”. O inquérito chegou ao gabinete de Mendonça no dia 12, em segredo de Justiça, e até o momento o ministro não adotou providências.

Empresas da Operação Saturno, como Wave e Arpar, já haviam aparecido em investigação sobre uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Documentos da CPMI do INSS apontaram que a Wave recebeu R$ 514,5 milhões da Victory Trading, empresa de Victor Shimada, sancionado pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com a facção. A defesa de Shimada negou as acusações. Procuradas, a defesa de Antunes afirmou desconhecer a investigação, e a de Daniel Vorcaro, do Banco Master, não se manifestou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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