Inteligência Artificial e Inteligência Divina
Na era da inteligência artificial, vive-se também a "visão artificial": selfies, curtidas e páginas virtuais alimentam um grande banco de dados sobre cada pessoa. Como observa o filósofo e teólogo Elvis Rezende Messias, em artigo publicado pela Diocese da Campanha, forma-se um "paradoxo da vigilância imagética" — somos vistos a partir daquilo que vemos. A máquina, então, delimita um perfil de cada um a partir do que ele mesmo clica e visualiza.
Para o autor, porém, ninguém é o que vê nem aquilo que os outros veem dele. Citando Santa Teresinha do Menino Jesus, ele lembra: "Eu sou aquilo que Deus pensa de mim". No "data sense" divino, afirma, não somos reduzidos a likes nem a padrões algorítmicos, mas pessoas amadas, criadas à imagem e semelhança de Deus.
Messias recorre ao Papa Leão XIV, para quem nenhum sistema de cálculo, por mais sofisticado, gera um coração que se entrega ou uma consciência que discerne o bem. E cita o Papa Francisco, na encíclica Dilexit nos: "eu sou o meu coração". Parafraseando o Evangelho, conclui: "Vós valeis mais do que muitos dados".
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