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Igreja chamada a defender justiça, direitos humanos e comunidades vulneráveis

Por Celso Rafael
Atualizado em 23/10/2026 às 19:05 schedule 4 min de leitura visibility 6 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Acadêmicos de Angola e Moçambique defenderam que a Igreja Católica amplie sua atuação na defesa da justiça, dos direitos humanos e da dignidade das comunidades vulneráveis em uma região marcada por desafios sociais, econômicos, políticos e ambientais. As declarações foram feitas pelo Dr. Ângelo Kapwatcha, de Angola, e pelo Dr. Augusto Bassa João, de Moçambique, em entrevistas à margem de um seminário regional da Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral (IMBISA).

O encontro foi realizado de 12 a 16 de outubro de 2026, no Centro de Retiros Padre Pio, em Pretória, na África do Sul, e reuniu coordenadores das Comissões de Justiça e Paz das conferências episcopais da região. O tema do seminário foi “Capacitar os líderes religiosos para uma intervenção eficaz na defesa de questões sociopolíticas, econômicas e ambientais na região da IMBISA”.

Secretário-geral da Comissão de Justiça e Paz da Igreja Católica em Moçambique, o Dr. Augusto participou da formação para aprofundar temas ligados às mudanças climáticas, à justiça socioeconômica e à gestão dos recursos naturais. Ao tratar do impacto da exploração mineira em Moçambique, ele destacou as consequências ambientais, sociais e econômicas da atividade extrativa, especialmente a poluição dos rios e do ar, que pode comprometer a saúde e a qualidade de vida das populações. Segundo ele, embora a exploração represente uma oportunidade econômica, os benefícios que chegam às comunidades onde os recursos são extraídos são limitados. “É necessário um trabalho de advocacia para que, efetivamente, a exploração destes recursos beneficie mais as comunidades”, afirmou, defendendo uma distribuição mais justa dos ganhos da atividade mineira.

Convidado pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), o Dr. Ângelo foi orador em sessões sobre xenofobia, tráfico de seres humanos, direitos humanos, meios de comunicação social e participação dos jovens na democracia. Ele chamou a atenção para a situação dos migrantes na África do Sul, onde ataques xenófobos continuam a atingir pessoas de diferentes países da região. Observou que, apesar das respostas institucionais e dos compromissos assumidos pelas autoridades, os mecanismos de proteção nem sempre produzem resultados suficientemente rápidos para os afetados. Defendeu que a condição de estrangeiro não deve, por si só, ser motivo de perseguição, sobretudo quando não há crime comprovado, e apelou à construção de comunidades inclusivas, alicerçadas no respeito à dignidade humana.

O acadêmico alertou ainda para os riscos de tráfico de pessoas, especialmente entre grupos vulneráveis, incluindo crianças deslocadas por conflitos e pelas consequências das mudanças climáticas. Citou o caso de crianças provenientes do sul de Angola que se deslocam para a Namíbia em busca de condições de sobrevivência e podem ficar expostas à exploração quando não dispõem de proteção e acompanhamento adequados. Ângelo pediu também que os meios de comunicação reforcem a cobertura de situações de violência xenófoba e de outras violações de direitos humanos, de modo a sensibilizar a opinião pública e mobilizar a solidariedade nacional e internacional.

Sobre a participação dos jovens nos processos democráticos, o acadêmico angolano defendeu a promoção de uma atuação política responsável e a proteção dos jovens em contextos eleitorais marcados por tensões e conflitos. As experiências eleitorais na região, incluindo em Moçambique, na Tanzânia e em Botsuana, foram lembradas para ressaltar a importância de identificar e compartilhar boas práticas que contribuam para processos democráticos pacíficos. Para Kapwatcha, a Igreja pode contribuir para a educação cívica, a promoção da paz e a criação de espaços em que os jovens participem ativamente da transformação de suas sociedades.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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