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IBGE avalia incluir tráfico de drogas e contrabando no PIB

Por Ivan Marra
Atualizado em 21/10/2026 às 22:20 schedule 4 min de leitura visibility 8 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O IBGE avalia incorporar ao cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) a movimentação financeira de atividades ilícitas, como o tráfico de drogas, o contrabando e os jogos de azar. A mudança faz parte de uma revisão metodológica em andamento, com divulgação prevista para 2028, e segue o manual “System of National Accounts 2025”, adotado pela Comissão de Estatística das Nações Unidas como padrão internacional.

Publicado conjuntamente por ONU, Comissão Europeia, FMI, OCDE e Banco Mundial, o documento recomenda que a produção ou o consumo de determinados bens e serviços — incluindo entorpecentes —, ainda que ilegais, sejam registrados nas contas quando envolverem transações de mercado. O manual argumenta que diferenças na definição de transações ilegais entre economias, ou dentro de uma mesma economia ao longo do tempo, causariam inconsistências no sistema integrado de contas nacionais caso esses fluxos fossem omitidos.

Segundo o IBGE, o processo de revisão das contas nacionais é de longo prazo e envolve avaliação periódica das recomendações internacionais, incorporação de novas fontes de dados e revisão de estruturas estatísticas de referência. Em nota, a instituição afirmou que as recomendações do manual estão sendo avaliadas pelos institutos de estatística de diversos países conforme suas realidades locais e que a adoção de qualquer recomendação depende de estudos técnicos e da disponibilidade de dados, não sendo automática.

A primeira nota metodológica sobre a implantação do Sistema de Contas Nacionais, publicada em outubro de 2025, citava entre os tópicos da nova base “novas estimativas de contrabando e jogos de azar” e “estimativa da comercialização de drogas”. Uma segunda versão da nota, publicada em setembro, não inclui mais esse trecho e aponta apenas que a nova série será aperfeiçoada com a adoção das recomendações do manual internacional, com detalhes a serem apresentados ao longo dos próximos meses.

Manuais internacionais já preveem há décadas o tratamento estatístico de atividades ilegais. Na União Europeia, a inclusão dessas atividades nas contas nacionais tornou-se obrigatória no Sistema Europeu de Contas 2010, aplicado a partir de setembro de 2014, que cita produção e tráfico de drogas, prostituição e contrabando de álcool e tabaco. Austrália, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Sérvia e Ucrânia também adotam estimativas do tráfico de drogas no PIB. Nos Estados Unidos, um estudo do Bureau of Economic Analysis estimou que a inclusão de tráfico de drogas, prostituição e jogos de azar ilegais elevaria o PIB nominal de 2017 em mais de 1%.

O economista Bráulio Borges, do FGV Ibre, estima que o PIB nominal seria revisado para cima com a nova série. Segundo ele, apenas a atualização de dados preliminares para definitivos já deve elevar o valor de 2024 em quase 4%, podendo superar 5%, antes mesmo dos efeitos da mudança metodológica. Ele lembra que, na mudança de referência de 2000, adotada em 2007, o nível do PIB nominal foi revisado para cima em cerca de 11%, e em 2015, na referência 2010, o patamar subiu 5,5%. Borges ressalta que a revisão não altera a realidade econômica do país: “Dívidas, receitas tributárias, despesas públicas e emprego continuam sendo o que são. O que muda é a régua”, escreveu. Ainda assim, indicadores expressos como proporção do PIB, como a dívida pública, tendem a diminuir: uma revisão de 1% para cima no PIB reduziria em cerca de 0,83 ponto porcentual a relação dívida/PIB, considerando uma dívida equivalente a 83% do PIB.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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