Hackers invadem geladeiras de supermercados e elevam temperaturas na Europa
Uma série de ciberataques atingiu sistemas de refrigeração de estabelecimentos comerciais em pelo menos cinco países europeus nesta segunda-feira (2). Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Irlanda e Holanda registraram invasões remotas que desregularam equipamentos de conservação de alimentos, forçando o descarte de mercadorias e a retirada preventiva de produtos das prateleiras em dezenas de lojas.
Segundo o método identificado, os criminosos acessaram pela internet sistemas de refrigeração conectados à rede e exploraram falhas de segurança digital para manipular os aparelhos remotamente. Na Holanda, a invasão foi facilitada pelo uso de senhas padrão de fábrica e pela manutenção dos equipamentos em redes sem proteção adequada. Uma vez dentro do sistema, os hackers elevaram as temperaturas ou acionaram o modo de descongelamento, desativando os compressores responsáveis pela refrigeração.
O impacto imediato foi o comprometimento da conservação dos alimentos. Na Suécia, alguns equipamentos registraram 50 graus Celsius. Na Bélgica, dezenas de unidades das redes Delhaize e Carrefour foram atingidas, levando comerciantes a descartar mercadorias ou transferi-las às pressas para caminhões frigoríficos. Na Irlanda, 13 lojas retiraram todos os itens refrigerados e congelados de venda por precaução. O prejuízo financeiro total ainda não foi calculado, mas as perdas com descarte de estoque e interrupção das operações são estimadas em valores milionários.
A nova onda de incidentes ocorre três semanas após um ataque de grandes proporções na França, onde centenas de supermercados enfrentaram o mesmo problema. Na ocasião, redes como Intermarché e Leclerc tiveram refrigeradores manipulados que também chegaram aos 50 graus por várias horas, gerando perda total de alimentos e até princípios de incêndio. Apesar da semelhança operacional, as autoridades ainda investigam se todos os episódios fazem parte de uma única operação coordenada ou se são incidentes independentes que aproveitam as mesmas vulnerabilidades técnicas.
Especialistas e empresas do setor, como a Danfoss na Holanda, apontam que as invasões poderiam ter sido evitadas com práticas básicas de segurança digital. A principal recomendação é que sistemas industriais e comerciais desse tipo não utilizem senhas padrão, facilmente descobertas por hackers. Também é fundamental que esses equipamentos não fiquem expostos diretamente na internet pública, mas protegidos por redes privadas seguras ou desconectados da rede externa. O alerta para a atualização desses protocolos já havia sido feito semanas antes, mas muitos estabelecimentos não implementaram as travas a tempo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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