Governo investiga se há organização por trás dos incêndios no Amazonas
As equipes da força-tarefa que atuam no combate aos incêndios no Amazonas já abriram 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência, procedimentos que apuram possíveis condutas criminosas. A informação foi dada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, em entrevista coletiva em Manaus nesta quarta-feira (14).
Capobianco afirmou que os focos de incêndio tiveram origem em ação humana e garantiu que os responsáveis serão identificados. "Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso. E vamos punir aqueles que forem identificados de forma exemplar para que não fique na região uma sensação de impunidade", declarou.
As investigações estão a cargo das polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do Amazonas, em atuação conjunta com outras forças de segurança. O ministro citou situações semelhantes de incêndios criminosos registradas em 2024, quando o chamado "Dia do Fogo" contabilizou mais de dois mil incêndios simultâneos em São Paulo e no Pará. "Existe uma suspeita de ação organizada. Por isso, além de todos os que estão aqui, todas as investigações, também temos a participação da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, para verificar se está se repetindo aqui o que ocorreu em outro momento no chamado 'Dia do Fogo'", completou.
Quem provoca incêndios florestais está sujeito a multas administrativas de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, conforme o enquadramento da infração, além do embargo das áreas atingidas, apreensão de equipamentos e responsabilização criminal, que pode resultar em prisão. Os incêndios no estado têm gerado grandes nuvens de fumaça e levaram diversas cidades a suspender atividades. Em Manaus, a situação crítica da qualidade do ar provocou a suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam). "A população de Manaus foi tremendamente prejudicada e está sendo tremendamente prejudicada. Há uma destruição ambiental em curso e nós precisamos punir os responsáveis porque são incêndios criminosos", afirmou o ministro.
Capobianco também falou sobre o reforço das equipes e disse que já há redução perceptível nos incêndios, mas que ainda é cedo para comemorar. "Nós temos dados positivos. Não podemos comemorar, porque ainda temos uma situação grave, ainda tem muita fumaça, mas houve uma redução nos eventos de queimadas e de incêndios. Portanto, nós temos um movimento positivo e há um indicativo de redução de novos focos", disse. Sobre a fumaça em Manaus, afirmou que a expectativa é de melhora nos próximos dias, mas que a situação depende dos ventos da região. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, desde o início da temporada de incêndios florestais foram extintos 292 incêndios no Amazonas, e ainda há oito incêndios ativos no estado. O governo federal disponibilizou 11 aeronaves para as operações, entre elas um avião KC-390, três helicópteros e uma aeronave Caravan, além de 290 brigadistas em campo e outros 40 em deslocamento para reforçar o combate.
Esta matéria foi publicada primeiro em Meio ambiente · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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