Governo fala em proposta para perdoar R$ 15 bi em dívidas do setor de eventos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei para perdoar cerca de R$ 15 bilhões em dívidas de empresas do setor de eventos, bares e restaurantes inscritas na dívida ativa da União. A proposta pode beneficiar aproximadamente 400 mil empreendimentos enquadrados no Simples Nacional.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23) pelo senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores políticos da campanha de Lula, após autorização do presidente para a elaboração de estudos sobre a situação financeira do setor. Segundo o parlamentar, a intenção é enviar o projeto ainda em 2026, com a possibilidade de anistiar os débitos acumulados durante e depois da pandemia.
“O presidente Lula autorizou que a gente fizesse estudo em relação à questão do setor de eventos e artistas do país. Na pandemia tivemos o Perse e que praticamente muitos dos setores, segmentos, ficaram endividados. Hoje estive com presidente Hugo Motta [da Câmara dos Deputados] e a proposta é que pudesse encaminhar ainda este ano um projeto de lei para que fosse debatido no Congresso”, afirmou Camilo Santana.
Além do possível perdão das dívidas, o governo pretende oferecer uma linha de crédito para ajudar os empresários a regularizar pendências com o Fisco. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, defendeu medidas para aliviar as dívidas das empresas do Simples Nacional, com atenção especial aos microempreendedores individuais (MEIs). “Esse setor é um setor que precisa de ajuda. A linha de crédito vem nesse sentido. E combinamos com presidente da Câmara um cronograma para pensar no teto do Simples”, afirmou o ministro.
A iniciativa ocorre em meio à disputa sobre as medidas de apoio ao setor de eventos, que recebeu incentivos fiscais durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o Perse foi encerrado em 2025 pela gestão Lula, que justificou a decisão pelo elevado custo fiscal e por indícios de irregularidades na utilização dos benefícios por algumas empresas. Na última terça-feira (20), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que pretende restabelecer o programa caso seja eleito presidente, ampliando o alcance dos incentivos para empresas ligadas à cultura, shows, turismo e eventos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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