Ganhadora do Nobel da Paz reage contra sanções dos EUA ao Tribunal Penal Internacional: 'Inaceitáveis'
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, Navi Pillay, classificou como "inéditas" e "inaceitáveis" as sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). A sul-africana, que é ex-juíza da corte, recebeu a honraria na sexta-feira (9/10) "por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", segundo destacou o comitê responsável pela premiação.
Em videoconferência realizada no sábado durante um evento no Centro Nobel da Paz, em Oslo, na Noruega, Pillay afirmou que há "muita tensão e ansiedade em torno da continuidade dos tribunais internacionais, principalmente o Tribunal Penal Internacional". Ela criticou diretamente a medida americana: "O mais importante é que sanções foram anunciadas por um país contra os juízes, simplesmente por causa das ordens judiciais que eles emitem. Isso é inédito, inaceitável."
O governo do presidente Donald Trump anunciou as sanções horas depois de manifestar insatisfação com a escolha de Pillay para o Nobel. As medidas incluem a proibição de que empresas e organizações dos EUA realizem transações com o TPI e atingem o tribunal como instituição, com o objetivo de inibir sua capacidade de operar financeiramente. Parte delas deve entrar em vigor após um período de carência de seis meses, o que Washington afirma servir para dar aos países-membros tempo de negociar uma solução que contemple as preocupações americanas. O Secretário de Estado Marco Rubio declarou que as sanções visam "defender a soberania dos EUA", e a administração Trump alega que o tribunal é comandado por "globalistas" que ameaçam a soberania do país.
O TPI declarou que as medidas representam um ataque ao Estado de Direito e aos fundamentos da ordem jurídica internacional. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou a decisão como "um duro golpe em nossa busca coletiva por justiça penal internacional, da qual o TPI é um pilar fundamental". Países como Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Holanda e Japão afirmaram que "lamentam e discordam veementemente" das sanções.
Sediado em Haia, nos Países Baixos, o TPI começou a operar em 2002 para investigar e processar autores de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, genocídio e crimes de agressão. Entre os casos investigados estão conflitos em Darfur, no Sudão; em Gaza; na República Democrática do Congo e na Ucrânia. Por ser uma organização internacional independente, o tribunal não tem poder de polícia e depende dos Estados-membros para que suas decisões sejam cumpridas. Pillay tem 85 anos e também atuou como chefe de direitos humanos da ONU, além de ter defendido ativistas anti-apartheid na África do Sul no início de sua trajetória.
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