Flávio e Nikolas dão início à “despetização” do Nordeste para impedir virada de Lula
Na reta final do segundo turno, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensificou a ofensiva no Nordeste com atos de rua em capitais e cidades estratégicas da região, combinados a uma forte produção de conteúdo digital liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A estratégia, tratada pela campanha como “despetização” do debate regional, busca reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um território historicamente favorável ao petismo.
A comitiva percorreu cidades de Alagoas, Bahia, Maranhão, Sergipe e Ceará, com agendas em Salvador, Teresina, Aracaju, São Luís e Fortaleza. A montagem dos chamados atos do “bloco do 22” tem sido articulada com auxílio direto do candidato a vice, o deputado federal e ex-promotor de Justiça alagoano Alfredo Gaspar (PL). A campanha também avançou sobre o chamado “Nordeste profundo”, onde a conectividade à internet ainda é deficitária.
No ambiente digital, Nikolas Ferreira transformou o feed em um diário de campanha, com vídeos gravados em feiras livres, periferias e centros urbanos, além de peças em que moradores locais relatam problemas como desemprego, violência urbana e carência de medicamentos em postos de saúde. O minidocumentário “O Nordeste que foi esquecido”, publicado na terça-feira (20), alcançou 153 milhões de visualizações em menos de 24 horas no Instagram. Na quarta-feira (21), o deputado abriu transmissão ao vivo no TikTok para debater com militantes de esquerda, somando 57 mil visualizações na plataforma.
O analista político João Cândido, da Amelati Consultoria, avalia que o vídeo é criativo, humano e foi publicado em momento adequado da campanha. Segundo ele, a abordagem desloca a crítica para o governo e coloca o eleitor na posição de quem merece ser ouvido, reduzindo a percepção de que representantes da direita desprezam ou não compreendem a realidade nordestina. Cândido pondera, porém, que o desempenho digital não significa 150 milhões de eleitores alcançados nem votos conquistados.
A mudança de tom também é apontada por especialistas. A campanha abandonou apontamentos acusatórios sobre o padrão eleitoral da região e passou a adotar narrativa de acolhimento e emancipação em relação ao estilo petista de governar. Em ato em Salvador no último sábado (17), Flávio afirmou que seu governo fará “o maior programa de mobilidade social do mundo”. No primeiro turno de 2026, Lula ficou à frente de Flávio nos nove estados do Nordeste. Em 2022, o petista obteve 69,34% dos votos válidos na região no segundo turno contra Jair Bolsonaro, diferença de 12,5 milhões de votos que compensou derrotas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A região concentra cerca de 45% dos lares atendidos pelo Bolsa Família, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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