Fim da escala 6x1: o que pensa uma mãe solo e um pequeno empresário
Mãe solo de três filhos, Luciana de Almeida, 36 anos, é operadora de caixa em um supermercado de Campo Grande, no Rio de Janeiro, e cumpre a escala 6x1. Ela acorda às 5h, deixa as duas filhas caçulas na escola em Realengo e enfrenta cerca de 1h30 de transporte público até o trabalho. Sai às 17h50 e chega em casa perto das 20h, quando libera o filho mais velho, de 15 anos, do cuidado com as irmãs, de 4 anos e 1 ano e 8 meses. Com uma única folga por semana, o descanso costuma ser consumido pelas tarefas domésticas, e ela ainda faz faxinas para complementar a renda. "Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados", diz.
O Senado aprovou por 75 votos a 1 o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. O texto virou lei e a mudança na escala começa em dois meses. Luciana, que integra os 14,8 milhões de trabalhadores submetidos à 6x1, comemora e planeja descansar e ter mais tempo com os filhos. "No Dia das Mães, eu nem mandava meus filhos para a escola. Eu não podia aparecer e é chato, né?", afirma.
Já o pequeno empresário Valnei dos Santos, 39 anos, vive a notícia sob outra ótica. Ele tinha um mercadinho em Salvador com cinco funcionários e trabalhava de 15 a 16 horas por dia. Com a PEC avançando, fez as contas: contratar mais dois funcionários aumentaria os custos em pelo menos R$ 6 mil com encargos, valor que não fecharia. Vendeu a loja e hoje se divide entre a corretagem de imóveis e uma lanchonete. "Em toda guerra há feridos. Infelizmente, esse ferido nesse momento foi eu, mas faz parte", diz.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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IVAN MARRA
O problema não é nem o trabalhador e muito menos o empresário, é mais uma vez o Estado tratando o trabalhador como incapaz de escolher o que é melhor pra ele, e empurrar para o empresário mais responsabilidades, custos e nenhuma compensação, nem muito menos se falou até agora sobre desoneração trabalhista. O trabalhador quer dinheiro no bolso e pra isso, o Estado precisa deixar o empresário e o colaborador crescerem. Quero ver a discursão mudar de lado e os parlamentares terem que abrir mão dos luxos que estão à disposição deles e terem que viver com a renda média do trabalhador, eu tenho certeza, que dali pra frente vão lutar por causas reais. Por hora, estamos vendo o Governo colocando funcionário e empregador em lados opostos tornando a eles inimigos, esquecendo que quem produz, são os negócios, políticos não produzem, apenas, sugam e consomem. Precisamos urgentemente parar de idolatrar políticos e aprender a focar o nosso alvo no lugar certo. O Brasil precisa abraçar causas de país e não de governo. Chega destes absurdos.
18/10/2026 14:25
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