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Feira em Fortaleza defende políticas sobre drogas com justiça social

Atualizado em 21/09/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Palestrantes da 2ª edição da feira Febre de Arte, realizada no Anfiteatro Sérgio Motta, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, defenderam que o voto neste ano deve ser direcionado a políticos comprometidos com políticas sobre drogas em harmonia com a justiça social. Segundo os participantes que subiram ao palco, é preciso escolher candidatos com clareza sobre a questão, de modo a viabilizar propostas pertinentes e efetivas para a população.

A médica de família e comunidade Magda Almeida, docente da Universidade Federal do Ceará (UFC), criticou o que chamou de posição ideológica de reduzir o tema à ideia de que "maconha faz mal". Ela lembrou que negros e pobres são as principais vítimas da suposta "guerra às drogas" no Brasil e relatou sua rotina no consultório com pacientes do gênero feminino. Magda afirma detectar quando as pacientes começam a tomar pregabalina, medicamento de tarja vermelha indicado para epilepsia, ansiedade e fibromialgia — quadros que, segundo ela, podem ser atenuados pela cannabis. A médica alertou que a pregabalina pode causar efeitos colaterais como mudanças de humor, falhas de memória, pensamentos de automutilação ou suicídio, alucinação, desmaio e, em caso de interrupção repentina, síndrome de abstinência.

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Deviem

Dados apresentados no evento indicam que a cannabis é a droga ilegal mais usada pelos brasileiros, conforme o 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III). Na comparação de 2022 e 2023 com 2012, o uso dobrou entre adultos e adolescentes. Mais da metade dos usuários (54%) declarou consumir diariamente por ao menos duas semanas consecutivas, o equivalente a 3,3% da população, mais de 3,9 milhões de brasileiros. A Blis Data, que detém o maior volume de dados de usuários de cannabis medicinal da América Latina, identificou mulheres mais velhas e empregadas como as principais consumidoras do produto importado no país, geralmente em busca de alívio para distúrbios do sono e dor crônica.

Os painéis também abordaram a seletividade das polícias e da Justiça, o encarceramento em massa da população negra e a expansão de facções e milícias. Pesquisa do Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontou que quatro em cada dez brasileiros convivem com organizações criminosas em suas portas, o equivalente a 68,7 milhões de pessoas; nas capitais, a taxa sobe para 55,9%. O advogado Italo Coelho comparou a perseguição a expoentes da capoeira e do samba às barreiras impostas à cannabis no país. Já Tamára Silva, cofundadora da Marcha da Maconha de Fortaleza e coordenadora da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa), afirmou que a atuação dos agentes de segurança se restringe à repressão, resultando em "mais polícia, mais presídio".

O evento foi organizado pela Agência Liamba 360° e pela Adapta Associação Canábica, com a Auê Feira como nova parceira nesta edição. A programação incluiu a Rua das Associações, espaço dedicado a organizações da Região Nordeste que acolhem pacientes em uso medicinal da cannabis.

Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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