Ex-presa política venezuelana faz alerta ao Brasil
A ex-presa política venezuelana María Oropeza, que passou meses encarcerada no Helicoide, fez um alerta ao Brasil sobre os riscos de repetição do processo que, segundo ela, levou a Venezuela ao autoritarismo. Detida dentro de casa por agentes da Direção de Contrainteligência Militar (DGCIM), sem mandado de prisão ou de busca, ela afirma que sua prisão ocorreu após a oposição obter vitória expressiva na região nas eleições presidenciais. Oropeza era chefe de campanha de Edmundo González Urrutia no estado de Portuguesa.
Em entrevista à coluna Entrelinhas, ela descreveu o Helicoide como um "centro de tortura" e um "depósito de gente". Relatou que ficou em uma cela de 4 por 3 metros com outras cinco companheiras, trancada sob chave 24 horas por dia, sem janelas, e que chegou a passar até 40 dias seguidos sem ver a luz do sol. Libertada após os acontecimentos de 3 de janeiro, ela diz que a queda de Nicolás Maduro não foi suficiente para encerrar o regime e defende uma transição que leve a eleições livres.
Ao falar sobre o Brasil, Oropeza afirmou que o país atravessa um possível processo de fraude eleitoral, com uma pessoa há 12 anos no poder que perseguiu seus principais adversários. Segundo ela, a falta de alternância no poder, as ameaças contra quem pensa diferente e a pouca separação dos poderes públicos levaram a Venezuela a se transformar em uma tirania. Ela também criticou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e disse que o presidente tem uma "dívida muito grande" com a Venezuela e com a América Latina.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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