EUA confrontam regime de Cuba na ONU e expõem denúncias de tortura contra opositores
Os Estados Unidos reuniram nesta segunda-feira (19), na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, dissidentes e ex-presos políticos cubanos para denunciar torturas, perseguições e outras violações de direitos humanos atribuídas ao regime comunista de Cuba. O encontro, organizado pelo embaixador americano na ONU, Mike Waltz, recebeu o nome de “Cuba Livre: a opressão que Havana esconde” e provocou um confronto diplomático com representantes de Havana, que acusaram Washington de usar a organização para atacar o governo cubano.
Durante a reunião, foram exibidas imagens de cidadãos cubanos sendo detidos e apresentados relatos de opositores que afirmaram ter sofrido torturas e perseguições durante anos por criticarem o regime. Entre os participantes estavam o opositor José Daniel Ferrer, líder da União Patriótica de Cuba e ex-preso político, e o artista Luis Manuel Otero Alcántara, que também foi preso pelo regime. O evento reuniu ainda especialistas para discutir denúncias de trabalho forçado nas missões médicas cubanas no exterior e suspeitas de corrupção envolvendo integrantes do regime.
“Esta é a opressão que Havana quer esconder”, afirmou Waltz durante o encontro. O embaixador acusou o regime de usar o embargo econômico dos EUA como justificativa para os problemas da ilha e pediu que outros países não apoiem a resolução apresentada anualmente por Cuba na Assembleia Geral da ONU. Segundo ele, Havana utiliza o embargo para justificar a repressão e as dificuldades enfrentadas pela população.
O embaixador de Cuba na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, reuniu diplomatas de outros países para protestar contra o evento e chegou a discutir com Waltz quando o americano deixava o local. “Os Estados Unidos estão agindo como um delinquente internacional, impondo punição coletiva ao povo de Cuba”, declarou Guzmán, que acusou Washington de tentar desviar a atenção dos efeitos do embargo sobre a população cubana. Waltz também criticou a postura dos representantes de Havana e afirmou que diplomatas cubanos tentaram intimidar e filmar ex-presos políticos que participaram da reunião.
O confronto ocorreu uma semana antes da votação anual da Assembleia Geral da ONU sobre a resolução que pede o fim do embargo econômico americano a Cuba, prevista para os dias 27 e 28 de outubro. No ano passado, o texto recebeu 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções. Os Estados Unidos tentam ampliar o número de países contrários à resolução, aprovada por ampla maioria desde 1992, mas o resultado não obriga Washington a suspender as sanções, decisão que depende do Congresso americano. A disputa ocorre em meio à grave crise econômica enfrentada por Cuba, marcada por escassez de alimentos, inflação e apagões frequentes. O regime cubano atribui grande parte dessas dificuldades às sanções americanas, enquanto Washington responsabiliza as políticas econômicas e a repressão do regime pela crise.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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