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Estudo descobre forma de prever riscos em gestantes com doenças autoimunes via teste pré-natal

Por Ivan Marra
Atualizado em 23/08/2026 às 21:05 schedule 3 min de leitura visibility 19 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um estudo divulgado na quinta-feira (20) pelo Hospital Universitário de Louvain, na Bélgica, indica que o teste pré-natal não invasivo, exame de sangue já rotineiro na gravidez, pode prever quais gestantes com doenças autoimunes correm risco de sofrer complicações como pré-eclâmpsia ou parto prematuro.

O exame, que detecta fragmentos de DNA fetal livre no sangue materno para identificar anomalias cromossômicas como a síndrome de Down, foi analisado em 1.910 amostras do primeiro trimestre de gestações de alto e baixo risco. Em vez de analisar o código genético, os cientistas estudaram o "fragmentoma" — os padrões físicos, o comprimento e a origem biológica dos fragmentos soltos de DNA que circulam no sangue das gestantes.

Publicado na revista Science Translational Medicine, o estudo conseguiu prever, com uma taxa fixa de falsos positivos de 10%, entre 38% e 90% dos casos de complicações em pacientes com diferentes tipos de doenças autoimunes, dependendo da enfermidade. O sistema funcionou mesmo em pacientes cuja doença estava clinicamente inativa e foi validado em uma corte independente de um centro externo.

Mulheres com doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, psoríase ou doença de Crohn, apresentam maior risco de complicações durante a gravidez. Na Bélgica, 10% das gestantes sofrem de uma doença autoimune, e entre 1% e 5% necessitam de acompanhamento mais rigoroso — até agora, os médicos não conseguiam prever essas complicações com antecedência, já que no início da gestação não há sintomas e as análises sanguíneas convencionais não detectam o problema.

O geneticista Joris Vermeesch, autor principal do estudo, afirmou em comunicado que, com a mesma amostra de sangue coletada para o teste pré-natal não invasivo, é possível extrair informações importantes para prever complicações. "Assim, os médicos podem intervir mais rapidamente: por exemplo, iniciar uma dose baixa de aspirina a tempo de impedir a pré-eclâmpsia, administrar terapia direcionada ou encaminhar a paciente para um hospital universitário especializado", explicou. A técnica ainda não é usada na prática clínica, mas o centro médico trabalha para que o método se torne exame padrão em hospitais dentro de dois a três anos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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