Estudo desafia ideia de declínio inevitável e revela melhora cognitiva em idosos
Um estudo publicado pela Universidade de Yale em agosto de 2026 acompanhou cerca de 11 mil pessoas com 65 anos ou mais ao longo de 12 anos e encontrou resultados que contrariam a ideia de que o envelhecimento é marcado por um declínio contínuo e inevitável da memória, do raciocínio e da capacidade física.
Segundo a pesquisa, cerca de 45% dos participantes apresentaram melhora na função cognitiva, na capacidade física ou em ambas ao longo do período. Os avanços ligados à capacidade mental foram observados em 32% do grupo, enquanto 28% tiveram melhora física, medida principalmente pela velocidade ao caminhar — considerada pelos cientistas um dos principais indicadores de saúde. Quando os pesquisadores levaram em conta também os participantes cujas capacidades cognitivas permaneceram estáveis, em vez de apresentarem declínio, constataram que mais da metade contrariou a expectativa comum de deterioração cognitiva.
Para a professora de ciências sociais e comportamentais e autora principal do estudo, Becca R. Levy, o resultado contraria o senso comum. Segundo ela, muitas pessoas associam o envelhecimento a uma perda inevitável e contínua das capacidades físicas e cognitivas, mas o que a pesquisa encontrou é que a melhora na terceira idade não é rara, e sim comum, e deve ser incluída na compreensão do processo de envelhecimento. Levy observa que esses ganhos desaparecem quando se olha apenas para as médias: ao analisar as trajetórias individuais, a história que aparece é bastante diferente, com uma parcela significativa dos participantes mais velhos apresentando melhora.
Os pesquisadores também chamaram atenção para o fato de que os idosos com uma visão positiva sobre o envelhecimento foram, em geral, os que apresentaram maior possibilidade de melhora física e cognitiva. Essa correlação permaneceu forte mesmo após o ajuste para fatores como idade, sexo, escolaridade, doenças crônicas, depressão e tempo de acompanhamento.
Estudos anteriores liderados por Levy já indicavam que crenças negativas sobre o envelhecimento podem estar associadas a pior memória, menor velocidade de caminhada, aumento do risco cardiovascular e biomarcadores ligados à doença de Alzheimer. A pesquisadora defende que estereótipos relacionados à idade avançada, absorvidos da sociedade por meio de fontes como mídias sociais e publicidade, podem adquirir significado pessoal e produzir efeitos biológicos mensuráveis. No estudo mais recente, ela mostra que o padrão oposto também ocorre e afirma que os resultados sugerem a existência de uma capacidade de reserva para melhorias na terceira idade. Como as crenças sobre a idade são modificáveis, isso abre caminho para intervenções tanto no nível individual quanto no social.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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